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		<title>Radio Pax</title>
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		<copyright>Radio Pax 2007</copyright>

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        	<title> Crónicas de Opinião: Paulo Arsénio</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=63</link> 
        	<description>O Planeta Bloco<br />
<br />
Talvez por ser um ano em que se disputam várias eleições, farei, previsivelmente, mais crónica política do que tenho feito no passado.<br />
Tentarei debruçar-me sobretudo sobre os assuntos nacionais e locais que considere mais relevantes, abstendo-me de comentar questões menores ou de pequena dimensão política.  Procurarei ainda ter o distanciamento próprio do analista e comentador, e lançar perguntas críticas. <br />
<br />
Neste contexto que defini enquadra-se nesta semana a VI Convenção do Bloco de Esquerda. E a Convenção mais não confirmou de que o Bloco de Esquerda vive num planeta que não é este certamente. Eu chamar-lhe-ia o planeta Bloco.<br />
Assim, no planeta Bloco as eleições que estão na ordem do dia e das quais mais se falou na Convenção foram, imagine-se, as eleições presidenciais, por sinal as únicas que não se disputam este ano e de que nenhum português fala ou comenta. Ninguém quer saber em 2009 das eleições presidenciais. Ninguém excepto o Bloco de Esquerda que está muito preocupado m saber se Manuel Alegre vai ou não ser apoiado por A, B ou C e se saí ou não saí do PS, etc. Exactamente o assunto que mais interessa aos portugueses numa altura de gigantesca dificuldade económica internacional. Estranhos estes habitantes do planeta Bloco…<br />
No planeta Bloco atacou-se, uma vez mais, a banca e os empresários de forma geral, querendo condicionar-se os mesmos na gestão das respectivas empresas e criticou-se a nacionalização de um banco que, se não fosse a intervenção do Estado, faria com que muitos milhares de pequenos e médios aforradores pudessem perder as suas poupanças de uma vida de trabalho, sem terem culpa da gestão danosa das lideranças da instituição. De resto, nenhum de nós morrerá de amores pela banca mas convenhamos: se não fosse a banca quantos de nós teríamos tido a possibilidade de adquirir casa, ou carro, ou abrir e manter um negócio ou uma empresa. A banca e os negócios devem ser regulados e não asfixiados como se considera, no planeta Bloco. <br />
 <br />
<br />
Do ponto de vista político vive-se, no planeta Bloco, alguma confusão ideológica. Se não vejamos. O primeiro objectivo político do Bloco é evitar que Sócrates vença as próximas eleições. Também não querem colocar no poder uma direita dejá vu com Paulo Portas, Santana Lopes e Ferreira Leite à frente da mesma. Mas então o que pretende o Bloco? Vencer as eleições legislativas com maioria absoluta? Ou governar o país em coligação com o PCP e Manuel Alegre e Helena Roseta? <br />
Se querem retirar Sócrates do posto de Primeiro-Ministro e não querem lá Ferreira Leite, ninguém sabe ao certo o que querem os habitantes do planeta Bloco. Governar não é certamente. Talvez seja lançar o país na instabilidade permanente, no lodo e no lamaçal político constante. <br />
<br />
Sob o lema “Juntar Forças” houve um facto que não deixei escapar. Uns mais, outros menos, nota-se uma grande atracção dos habitantes do planeta Bloco pelo Partido Comunista Português. No fundo, no fundo o que os habitantes do planeta pretendem é mudarem-se rapidamente de armas e de bagagens para casa do PCP e aí viverem maritalmente, juntando as ditas forças. Eu diria o que digo desde há um ano atrás. Basta um simples gesto, um piscar de olhos do PCP, para ter o planeta Bloco a comer na sua mão. E convenhamos que esta União de Facto mal disfarçada, há muito que se deveria ter transformado em Casamento.<br />
<br />
Quem já não leva o enxoval é a Joana Amaral Dias. Os habitantes do planeta Bloco jamais lhe perdoaram o facto de ter sido mandatária da juventude de Mário Soares nas presidenciais de 2006 e assim que tiveram oportunidade, sacudiram-na. Tal como sacudiram José Sá Fernandes por este ter um comportamento sério e responsável com António Costa, Presidente da Câmara de Lisboa. <br />
A Joana não se conforma. Apetece dizer que andou muito distraída estes anos todos no planeta Bloco não percebendo que a única coisa que distingue este planeta político de outros, é o falso moralismo que apregoa e a arrogância intelectual com que se dirige aos demais partidos da esquerda política portuguesa.<br />
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E que tem o líder que, somados os anos de PSR e de Bloco, é aquele que há mais tempo está à frente de um planeta político em Portugal. Para quem se auto-proclama de planeta jovem convenhamos que a renovação tem sido nula. Há mais tempo que Louçã à frente de uma organização em Portugal talvez só mesmo Arménio Santos nos TSD e Carvalho da Silva na CGTP. E claro a eterna mas sempre jovem Carmelina Pereira líder incontestada do POUS (Partido Operário de Unidade Socialista).    <br />
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			<pubDate>Wednesday, 11  February 2009 09:05:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=62</link> 
        	<description>Formação Permanente do Clero e Ano Paulino<br />
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Uma vez mais entro em contacto com os ouvintes da Rádio Pax para comunicar alguns pensamentos que ocuparam a mente do Bispo de Beja nos últimos dias, a par de muitos outros, que, assim o espero, darei a conhecer noutra altura.<br />
No dia 25 de Janeiro, a Igreja celebrou a festa da conversão de S. Paulo, de cujo nascimento celebramos o bimilenário e por isso o Papa proclamou-o de Ano jubilar paulino. Abriu a 28 de Junho de 2008 e encerrará no dia 29 de Junho do corrente ano, com a festa do martírio de S. Paulo.<br />
Trata-se de um personagem importante na vida da Igreja, pois muitos dos escritos do Novo Testamento da Bíblia são da sua autoria ou têm a sua inspiração e a ele se deve a grande expansão do cristianismo no Império Romano, logo no século I. Foi uma personagem apaixonada pelo Deus da sua religião, primeiro de acordo como era vista e vivida pelo povo judeu, mas depois como Jesus Cristo e os Apóstolos a viveram, a ponto de ter dado origem a muitos conflitos religiosos e muito ter sofrido por essa causa, acabando por ser morto em Roma, após ter fundado muitas comunidades de seguidores de Cristo, na Ásia e na Europa.<br />
Depois de no ano 2000 termos celebrado o ano jubilar da Redenção, isto é, o bimilenário do nascimento de Jesus Cristo, ano que mexeu com a Igreja em todo o mundo, desta vez é de Paulo que se trata, a princípio o mais fanático adversário dos cristãos, mas depois quem mais contribuiu para a sua expansão. Trata-se por isso de uma personagem fora do vulgar e que continua a ser um grande exemplo de discípulo missionário de Cristo. Podemos dizer que foi ele quem lançou as sementes e as raízes da fé cristã na Europa. <br />
Muitos dos princípios orientadores da convivência pacífica entre as pessoas e os povos, princípios esses recolhidos na carta dos direitos humanos e em muitas constituições políticas, encontram a sua inspiração nos escritos de S. Paulo. Tornou-se famosa a sua mensagem de que em Cristo não há judeu nem grego, homem ou mulher, estrangeiro e cidadão, mas que todos somos concidadãos, dotados da mesma dignidade e chamados a formar uma nova cidadania, cuja plenitude se atinge na Jerusalém celeste.<br />
As suas imagens do corpo e dos membros para significar o modo como nos devemos relacionar e conviver merece ser reflectida num mundo globalizado, mas apenas em alguns aspectos, que excluem ou discriminam os mais débeis da sã convivência entre os humanos. Sobretudo o seu hino ao amor, como plenitude das virtudes necessárias à pessoa, ser em relação, mas sempre a correr o risco de se fazer o centro de tudo e subjugar os outros a si mesma, é de uma grande actualidade para estes tempos de crise. Esta será mais facilmente ultrapassada e suportada, se soubermos imprimir às nossas relações esse dinamismo do amor, como o descreve Paulo no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios.<br />
Foi para tornar presente e viva esta mensagem na actuação do clero das três dioceses do Sul, Álgarve, Beja e Évora, que cerca de 70 membros dessas dioceses estiveram reunidos no Centro Pastoral de Beja, no edifício do Seminário, de 26 a 29 de Janeiro, em acção de formação permanente. Aqui estiveram também os bispos das três dioceses e por aqui passaram grandes especialistas dos escritos de S. Paulo, que nos ajudaram a compreender a influência de Paulo na cultura cristã do primeiro século e a sua actualidade para os dias de hoje.<br />
Estas acções de formação permanente em colaboração com as três dioceses já se realizam desde há vários anos e são cada vez mais necessárias para não cairmos na rotina e nos deixarmos ultrapassar pela cultura pós-moderna.<br />
<br />
Espero que esta partilha das actividades da Igreja diocesana e sua inserção na vida da Igreja universal e na sociedade tenha algum interesse para os ouvintes. Se desta vez não foi o caso, para a próxima abordarei outras questões. Até para a semana, se Deus quiser.<br />
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† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
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			<pubDate>Monday, 02  February 2009 12:09:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Rodeia Machado</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=61</link> 
        	<description>Os acontecimentos e as notícias decorrentes, foram tantos e tão diversificados, que tenho alguma dificuldade, em separá-los, no entanto vou procurar, através desta breve crónica, dar o meu ponto de vista sobre algumas matérias que considero interessantes, e ao mesmo tempo fundamentais para o nosso desenvolvimento à escala regional.<br />
Quero eu, com isto dizer, que o caso Freeport, não consta, das questões ou matérias com interesse para esta crónica, pois o que continuo a dizer sobre isso é que a justiça actue rapidamente para esclarecer toda a situação e punir quem tiver que ser punido.<br />
A única questão que quero acrescentar sobre esta matéria, é que o Governo como um todo, e o Primeiro Ministro José Sócrates em particular, não seja vitimado pelos acontecimentos, como também não seja condenado, por situações que não estão julgadas.<br />
Há mais país, e tem maiores problemas para resolver, como a questão do desemprego, para que a questão da discussão pública recaia sobre o problema ou pseudo-problema do Freeport.<br />
A situação do crescimento do desemprego, é efectivamente a questão central, (ou devia ser) das nossas preocupações.<br />
Todos os dias vem à tona de água o despedimento de dezenas, quando não de centenas de trabalhadores, como o mais recente caso da Quimonda, em que hoje o liquidatário alemão vem a Portugal, para falar com o Ministro da Economia sobre o assunto.<br />
Como todos sabem, foram investidos nesta empresa, mais de cem milhões de euros para a modernização desta unidade de produção, tecnologicamente avançada e que emprega mais de 1.700 trabalhadores altamente qualificados.<br />
Mas falamos desta, como poderemos falar da fábrica de faianças Bordalo Pinheiro, uma empresa tradicional e com uma alta importância no tecido empresarial português, e com uma importância grande para os trabalhadores, que vivem um momento de grande aflição, sem saberem qual o seu futuro.<br />
Ou poderemos ainda falar, de centenas de trabalhadores que procuram emprego, e não encontram, grande parte deles desempregados de longa duração, cujos empregos há muito desapareceram, e que são muito velhos para arranjar emprego e muito novos para se reformarem, isto é, são as pessoas com quarenta e muitos, cinquenta anos.<br />
A taxa de desemprego disparou, e vai segundo as expectativas mais optimistas crescer até aos 8,6%, ou seja até aos quinhentos e muitos mil desempregados.<br />
São essas famílias e as consequências que o desemprego provoca, que são verdadeiramente importantes. É aí que devem incidir as preocupações da sociedade portuguesa, e em primeiro lugar do Governo, e mais particularmente do Primeiro-Ministro José Sócrates, sobre a economia nacional e as políticas que estão a ser aplicadas.<br />
As pessoas, em primeiro lugar, porque elas não são números, são situações reais, são dramas imensos, que precisam resolução urgente.<br />
Basta de paliativos.<br />
Sou daqueles que penso, que o investimento público e o inverter de políticas sectoriais podem fazer a diferença para que possa haver condições para melhoria de emprego.<br />
Questões como o IP8, há muito reclamado e agora anunciado, mas que fica aquém do que se pretende, podem ajudar a dar um passo positivo na criação de postos de trabalho.<br />
E se o mesmo, com perfil de outra estrada, não parasse, em Beja, mas sim em Ficalho, seria ouro sobre azul para o desenvolvimento regional.<br />
A única situação, em que nos devemos questionar, quanto ai investimento público, é se está ser bem ou mal direccionado.<br />
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Rodeia Machado<br />
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			<pubDate>Monday, 02  February 2009 12:06:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=60</link> 
        	<description>Saúdo os ouvintes da Rádio Pax neste início de dia e de semana e peço-lhes uns minutos para me ouvirem falar de alguns assuntos que ocuparam a mente do bispo de Beja nos últimos dias. Talvez não sejam os mesmos que preocupam a grande maioria das pessoas, mas é sempre bom partilharmos uns com os outros, para aliviarmos um pouco do peso das nossas aflições.<br />
Irei tocar o tema da semana de oração pela unidade dos cristãos, que, de 18 a 25 de Janeiro, todos os anos se faz pelo mundo fora e que, ontem, dia 25, festa da conversão de S. Paulo, encerrou.<br />
Desde há 101 anos que as igrejas cristãs evangélicas ou protestantes, actualmente associadas no Conselho Mundial das Igrejas, organizam uma semana ou oitavário de oração pela unidade dos cristãos, seguidores de Jesus Cristo e do Evangelho, mas divididos em comunidades e Igrejas diferentes, por vezes até rivais. Em 1968, na sequência do Concílio Vaticano II, também a Igreja Católica se associou a este oitavário de oração pela unidade e, desde então, elaboram em conjunto um guião para todos os dias desta semana e, em algumas partes, realizam encontros de reflexão e de oração com representantes de outras Igrejas cristãs ligadas ao movimento ecuménico, isto é, ao movimento de diálgo intereclesial em ordem a promover o conhecimento, a colaboração e a união entre os cristãos.<br />
Na realidade, os cristãos sabem que a vontade de Cristo é que sejamos e vivamos unidos, para que o mundo acredite que há um só Deus e um só Jesus Cristo, que deseja salvar a todos. Foi assim que Cristo, na oração da última ceia, quando se despedia dos seus apóstolos, disse e rezou a Deus Pai. Antevendo as divisões entre os seus discípulos, pelos mais diversos motivos, Cristo rezou para que todos fossem unidos como Ele o era com o Pai.<br />
Ao longo da história dos seguidores de Cristo foram surgindo divergências entre pessoas e grupos e algumas delas cristalizaram em comunidades e Igrejas separadas.  Algumas divisões, logo nos primeiros séculos, foram ultrapassadas com o tempo ou através de diálogo, normalmente atingindo um consenso em decisões de concílios ecuménicos, a começar pelo primeiro em Jerusalém, no início da segunda metade do século I. <br />
Uma grande divisão, que perdura ainda hoje, foi a da separação da Igreja oriental e latina, no início do segundo milénio. A assim chamada Igreja Ortodoxa, presente sobretudo nos países eslavos, manteve-se viva mesmo debaixo do comunismo ateu e conta muitos milhões de membros.<br />
No século XVI deu-se na Igreja do Ocidente a chamada reforma protestante, a partir de Martinho Lutero e outros, que, pela sua maneira de ler a Bíblia e de se organizar, deu origem a muitas outras Igrejas denominadas evangélicas, espalhadas por todo o mundo ocidental e com muita expressão nos países anglo-saxónicos, mesmo na vida pública. Por isso não é de admirar que a Rainha da Inglaterra e o Presidente dos Estados Unidos tomem possem com um juramento sobre a Bíblia e com uma oração formulada por um ministro da Igreja a que pertence o empossado, como aconteceu no dia 20, na tomada de posse de Barack Obama.<br />
Mas, com certeza, esta divisão não é vontade de Cristo e não há vários Cristos, mas sim diferentes visões da sua pessoa e mensagem. Isto reconhecem todos e por isso se juntam para rezar pela unidade, sem querer impô-la aos outros, como se a culpa fosse deles e não também nossa. Todos temos experiência que a unidade, a comunhão e o amor só podem surgir na liberdade das pessoas e a verdadeira liberdade tem de ser interior e exterior. Cristo só quer adoradores em espírito e verdade. É a verdade que nos liberta e libertará. Neste sentido, temos de implorar o reconhecimento da verdade e a vontade de a acolher e seguir, para construirmos a comunhão e a unidade de todos os que acreditam em Cristo.<br />
A Igreja é necessária, pois precisamos da comunidade para nos formarmos e construirmos a comunhão. A divisão em várias Igrejas não favorece a comunhão. Por isso temos de continuar a orar, para que nos seja concedido o dom da comunhão e da unidade, para que o mundo acredite n’Aquele que veio para salvar e não para condenar. É de perdão, de reconciliação e de amor que a humanidade precisa, para enfrentar os graves problemas da luta pela vida e ajudar os menos capacitados, para que ninguém fique para trás ou alguém julgue ser o senhor da criação. Se todos os que se dizem cristãos seguissem unidos o Evangelho, o mundo seria muito diferente. Os grandes problemas encontrariam rápida solução, pois quase metade da humanidade diz-se cristã.<br />
Com estas reflexões me despeço dos ouvintes da Rádio Pax, pedindo-lhes para nos seus locais de trabalho e na família serem fautores de comunhão e de paz, pois aí começa o caminho para a unidade. Até para a semana, se Deus quiser.<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Monday, 26  January 2009 11:37:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Alberto Matos</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=59</link> 
        	<description>Mais papistas…<br />
<br />
Não posso começar esta crónica sem uma saudação muito especial aos mais de cem mil professores que ontem estiveram em greve. Duas paralisações na casa dos 90%, no espaço de um mês e meio, é um facto sem paralelo no sindicalismo português, antes ou depois do 25 de Abril. A actual luta dos professores constitui aliás um movimento social inédito no nosso país, que extravasa muito as fronteiras do sindicalismo. Desde logo porque nasceu nas próprias escolas, como resposta genuína à prepotência e ao autoritarismo da equipa ministerial teimosamente apoiada por José Sócrates. A contestação generalizada a este modelo de avaliação anti-pedagógico surpreendeu os próprios sindicatos que assinaram o polémico Acordo com o ME, em Abril de 2008.<br />
<br />
Mas as causas e consequências dos protestos dos professores vão muito para além da avaliação, do estatuto que separou artificialmente a carreira entre titulares e não-titulares e dum modelo de gestão anti-democrático que pretende, de algum modo, restaurar a bafienta figura do “senhor reitor”. A luta não ficou confinada nas escolas, ganhou o espaço público e protagonizou, em pouco mais de meio ano, duas das maiores manifestações de sempre em Portugal, com 100 e 120 mil participantes, seguramente as únicas que conseguiram trazer à rua a maioria qualificadíssima de uma só classe profissional. Tudo isto apesar da chantagem, das ameaças e dos cantos de sereia. É obra!<br />
<br />
As repercussões sociais e políticas deste movimento ainda nos escapam. Mas, justamente por ele se situar no coração do sistema educativo, por ter envolvido pais, alunos e toda a sociedade, o mínimo que se pode dizer é que estamos a assistir a uma aula magistral de educação cívica. Os direitos e a dignidade profissional dos professores não cederam a ameaças nem estão à venda perante recuos “simplex” que apenas confirmam a falta credibilidade de um modelo de avaliação mal copiado de paragens longínquas e que já nem é levado a sério pelos seus promotores.<br />
<br />
Perante esta afirmação de dignidade profissional e cívica de que se orgulha legitimamente a classe docente, destoa o clima de intimidação e as pressões intoleráveis exercidas sobre os professores de duas escolas da cidade de Beja – a Mário Beirão e a D. Manuel I – por sinal, tive o gosto de ser professor, delegado e dirigente sindical nestas duas escolas, na já longínqua década de 80. Não posso pois calar a indignação perante o que se tem passado, em particular na Secundária D. Manuel I, a nossa velhinha Escola Industrial e Comercial de Beja.<br />
<br />
Mais de 90 dos 114 professores desta Escola pediram, no final do primeiro período lectivo, a suspensão de avaliação, depois da greve a que aderiram cerca de 80 docentes. Já em Janeiro, na sequência do Dia de Reflexão, mais de 70 subscritores solicitaram a convocação de uma Reunião Geral de Professores, ao abrigo do Artigo 497 da Lei 99/2003 – vulgo Código do Trabalho. Espantosa foi a reacção dos órgãos de gestão da Escola: esta reunião seria ilegal à face a um regulamento recentemente imposto à função pública – como se os funcionários do Estado pudessem ver os seus direitos diminuídos face à lei geral e, sobretudo, face à Constituição da República Portuguesa que consagra o direito de reunião no seu Artigo 45.<br />
<br />
Pior: além de “não autorizar” uma reunião que apenas tinha de ser comunicada e nem carece de autorização, o órgão de gestão da Escola marcou ele próprio, para o mesmo dia e a mesma hora, uma reunião, com um ponto único: “Esclarecimento de dúvidas concretas em relação ao processo de avaliação de desempenho na forma simplificada”. E impõe logo uma metodologia: “as questões serão respondidas por ordem de inscrição pelos elementos do CCAD, partindo-se do princípio que os docentes consultaram os sites do ministério relativos à legislação”. Ou seja: temos uma sessão de explicações aos meninos que ainda não apreenderam a excelência deste modelo de avaliação! Às vezes dá-me uma saudade de voltar á Escola… Ah! E se me perguntarem quem é que me contou tudo isto, como agora está na moda, aprendi há muitos anos que não se fala, nem na PIDE.<br />
<br />
Alberto Matos – Crónica semanal na Rádio Pax – 20/01/2009<br />
</description> 

			
			<pubDate>Wednesday, 21  January 2009 10:22:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=58</link> 
        	<description> <br />
1.  O curto-circuito da crise<br />
O Bispo de Beja entra uma vez mais em contacto com os ouvintes da Radio Pax e deseja a todos um bom dia. <br />
Nos meios de comunicação social, nos parlamentos, nas cimeiras dos governos é tema frequente de notícias e comentários a crise financeira e até mesmo a recessão económica, que dizem ter vindo para ficar por algum tempo. Temos que nos habituar a viver e conviver com esta ideia, como até há pouco com a exigência de crescimento contínuo, que nos conduziu para uma atitude consumista. Enquanto em muitas partes do mundo os recursos não chegam para satisfazer as necessidades primárias da subsistência, nós criámos novas necessidades, que nesta altura começámos a ter dificuldade em acalmar. Por isso apontamos o dedo para os detentores do grande capital e para os governos, responsabilizando-os pelas perturbações do nosso bem estar.<br />
Mas afinal quais são as causas da crise e quem são os culpados?<br />
Embora ninguém esteja disposto a receber lições de moral, creio que todos somos causadores e culpados da crise. Talvez uns mais que outros, mas ninguém pode apontar o dedo aos outros e pôr-se de parte. Quando o fazemos, temos três dedos a apontar para nós mesmos, como dizia Weizäcker, antigo presidente alemão. Todos nos esquecemos de que o desenvolvimento tem de ser sustentável e contemplar sobretudo os mais atrasados, os mais pobres. Os recursos humanos e naturais não são ilimitados. A ambição de ter sempre mais destrói o equilíbrio. É certo que tem havido alguns demasiado ambiciosos, sem respeito pela natureza e pelos outros, lançando mãos de práticas enganosas, pouco transparentes e de um egoísmo feroz. A estes o Estado social precisa de controlar e moderar, para não dizer moralizar, e não o fez. Por isso podemos responsabilizá-lo pela omissão. Mas nós também precisamos de moderar a nossa ânsia de consumo, de nos morigerar e até converter a uma vida mais austera, mais simples e solidária, para não nos deixarmos embarcar nas falsas promessas da riqueza e do consumo, lançando mão de créditos e mais créditos para satisfazer um consumismo desenfreado, seja nos hábitos alimentares, nas comunicações fúteis, nas modas, nos meios de transporte, nas férias, no desporto, no lazer, na habitação e por aí além. Tudo isto é bom, mas até há pouco não afectava os orçamentos das famílias, apesar de serem mais numerosas, pois grande parte disto é criação dos tempos modernos. O acontecimento de Natal que se aproxima recorda-nos a preferência de Deus pelos mais pobres, pois no seu nascimento entre nós assemelhou-se e manifestou-se a eles.<br />
Sem querer interromper a reflexão na procura das causas da actual crise, fico-me hoje por aqui. Creio que já todos percebemos que ninguém é totalmente inocente e todos precisamos de encontrar novos equilíbrios. <br />
<br />
2. Avaliações escolares e prioridades das férias <br />
Como segunda nota da semana vou abordar alguns aspectos do primeiro período do ano escolar e apresentar algumas sugestões para as férias de Natal.<br />
Afinal, governo, professores e alunos vão continuar o diálogo, ou fica cada um na sua e, neste caso, todos perdemos? Se assim for, o sistema educativo não se deixa educar. Cada um grita para seu lado as suas razões e reinvindicações e ninguém se deixa avaliar. À crise financeira e económica acresce mais a crise da educação. Todos queremos uma melhor educação, mas ninguém está disposto a comprometer-se e sacrificar-se por isso.<br />
Uma velha máxima diz que casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. Se substituirmos as palavras pão e razão por educação, veremos que é isto que falta. Também é sabedoria saber calar-se, o silêncio. Talvez as férias de Natal que se avizinham contribuam para isso. Oxalá o silêncio serene os ânimos e, após uma pausa, todos sintam vontade de se escutar uns aos outros e encontrem as soluções mais racionais e possíveis para a sociedade portuguesa actual na área da educação.<br />
Talvez as férias de Natal, bem aproveitadas, com mais tempo e atenção para com os nossos familiares, para ler algum livro de boas maneiras, para ver um bom filme, para comunicar com os amigos distantes, para descansar e, se temos fé, para levantar a voz e o coração até Deus, que, no mistério de Natal, se torna um de nós, Deus connosco, tudo isto e outras coisas parecidas poderão ajudar a sociedade portuguesa a serenar e encontrar caminhos novos de avaliação, de convivência pacífica e de progresso, mãos e inteligência unidas na luta contra a crise.<br />
Neste sentido desejo a todos uma última semana de actividade escolar um pouco mais serena que as anteriores, para que não entremos nas celebrações de Natal de coração azedo e relações cortadas. Se assim for, este ano para nós não será Natal.<br />
<br />
Obrigado por me terem escutado uma vez mais. Até para a semana, se Deus quiser.<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Monday, 15  December 2008 19:42:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=57</link> 
        	<description>1.  Dia da Padroeira de Portugal, a Imaculada Conceição<br />
O Bispo de Beja entra uma vez mais em contacto com os ouvintes da Radio Pax e deseja a todos um bom dia. <br />
Sendo hoje feriado nacional, para os católicos dia santo de guarda, com obrigação de participar na Eucaristia das comunidades cristãs, não poderia deixar de tocar neste assunto. Nem toda a agente sabe o porquê deste feriado, embora goste de disfrutar mais um dia de descanso semanal. Foi D. João IV quem declarou, nas Cortes de Lisboa, em 1646, que a Virgem Nossa Senhora da Conceição passasse a ser padroeira de Portugal. A 25 de Março de 1656, D. João IV, corou Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, Rainha e Padroeira de Portugal. A partir desse momento, mais nenhum Rei de Portugal usou a coroa na cabeça. Foi Nuno Álvares Pereira (Condestável do Reino, que em breve será solenemente declarado santo da Igreja) quem mandou edificar em Vila Viçosa a primeira ermida, em toda a Península Ibérica, dedicada à Imaculada Conceição.<br />
Qual o sentido da veneração de Nossa Senhora com os inúmeros títulos que a Igreja e a devoção popular lhe atribui e, concretamente, este de Imaculada Conceição?<br />
Em Maria, escolhida por Deus para ser a Mãe de Jesus, o Filho de Deus e único Salvador dado à humanidade, a Igreja vê realizado numa pessoa concreta o ideal da mulher, da mãe e da humanidade, a filha de Sião, a nova Eva, que gera a nova família dos filhos de Deus. Por isso Deus a dotou de todas as qualidades necessárias para o exercício desta missão. Muitas delas foram descobertas e realçadas em determinados momentos ao longo da história da Igreja. Esta qualidade de Imaculada Conceição, isto é concebida sem pecado, apenas foi declarado como uma verdade da fé da Igreja em 1854, pelo Papa Pio IX. As aprições de Lourdes, de que celebramos este ano o centésimo quinquagésimo aniversário, vieram dar a esta verdade um grande incremento na vida da Igreja, sobretudo devido aos milagres acontecidos em Lourdes. Mas, como vimos, já antes, em Portugal e em muitas partes do mundo se honrava Maria como a Imaculada Conceição. O meu predecessor como Bispo de Beja, D. José do Patrocínio Dias, mandou erigir junto à igreja do Carmo um monumento a ela dedicado, no centésimo aniversário da proclamação do dogma, em 1954.<br />
Em Maria acreditamos realizado aquilo que no íntimo de cada um de nós desejamos ser, pessoas íntegras, sem mácula de pecado, transparentes a Deus e aos homens. Nela existe desde a concepção aquilo que nós apenas pela misericórdia de Deus e pela graça baptismal podemos ser, porque a Deus nada é impossível.<br />
Neste tempo de preparação para o Natal olhamos para Maria como modelo daquela que acreditou firmemente na Palavra de Deus e esperou que se cumprissem as promessas feitas ao Povo de Deus da vinda do Messias Salvador. Ela é a mulher de fé, de olhar e coração puros, em quem podemos confiar e implorar a intercessão junto de Deus. Ela é verdadeiramente padroeira, defensora de quem a venera e invoca. Celebremos pois este dia da Padroeira de Portugal, dando provas de que continuamos a contar com a sua protecção e que por isso nos preparamos para celebrar o Natal de seu Filho.<br />
<br />
2. Tempo para a família<br />
Como segunda nota da semana desejaria abordar alguns aspectos da família, realidade fundamental da nossa vida e da sociedade.<br />
Esta estação do ano, mais fria, chuvosa e escura, com dias curtos e noites prolongadas, convida a recolher ao nosso local de abrigo habitual e aí dar mais atenção às pessoas que dele fazem parte, que, normalmente, serão os nossos familiares, se é que não vivemos sozinhos. Esta é também uma época em que mais saudades sentimos dos nossos familiares, sobretudo se estão longe. Que o digam os emigrantes! Assim sendo, é bom aproveitarmos o tempo e as oportunidades para fortalecermos os laços de família. Sabemos que isso não se faz automaticamente. Se apreciamos as pessoas que vivem connosco, temos de dar provas concretas disso. Ter tempo para elas, escutá-las, partilhar as suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, manifestar a nossa gratidão pela sua existência e a sua relação connosco, dialogar sobre os nossos planos e sonhos, unir forças para a sua realização. A família é um dom precioso, que é preciso acolher todos os dias de novo, buscá-lo e rodeá-lo de cuidados. Infelizmente muitos só disso se apercebem quando os laços de comunhão já se romperam e as pessoas começam a sentir-se desamparadas, sobretudo as mais fágeis, normalmente as crianças e as mulheres, mas por vezes também os homens.<br />
O Natal desperta em nós a nostalgia da família. Para que ela se torne vida real, comecemos desde já a cultivar as relações de amor e gratidão para com todos os membros da nossa família. Assim o Natal será não apenas uma festa do passado, mas uma explosão da alegria partilhada com todos aqueles com quem vivemos. E onde há amor aí nasce e está Deus. Aí é Natal.<br />
Obrigado por me terem escutado uma vez mais, bom feriado e até para a semana, se Deus quiser.<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 09  December 2008 14:24:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=55</link> 
        	<description>1. A Europa e os imigrantes<br />
O Bispo de Beja entra uma vez mais em contacto com os ouvintes da Radio Pax e deseja a todos um bom dia, o primeiro do último mês do ano, que, assim o espero, termine a contento de todos, ou, pelo menos, sem grandes razões de queixa, apesar do ambiente de depressão reinante.<br />
Como primeira nota desta semana vou tocar um assunto muito actual nos tempos que correm, as migrações. Vivemos num tempo de grande mobilidade, pelos mais diversos motivos. <br />
Todos sabemos que somos um povo de emigrantes, mas, após a entrada de Portugal para a comunidade europeia, também de imigrantes. Em tempos de recessão económica são estes os primeiros a sofrer. Que o digam os nossos emigrantes espalhados pelo mundo fora, quase cinco milhões. A nossa vizinha Espanha, que parecia ser um Eldorado para muitos, entrou numa grave crise e alguns trabalhadores vêm-se obrigados a regressar ao país, de mãos a abanar, com salários em atraso. Muitos portugueses e até imigrantes entre nós começaram a ir trabalhar, semanalmente, para o país vizinho, aliciados por melhores salários, apesar da fadiga das deslocações, que tem causado alguns acidentes graves nas estradas. De repente, acaba-se a fonte de sustento para numerosas famílias. Entre os imigrantes alguns vão regressando aos seus países de origem e por isso o seu número entre nós vai-se reduzindo. Isto traz algumas sombras para a vida destas pessoas corajosas, que deixaram as suas terras e famílias, para melhorar a sua situação económica. Afinal, até esta motivação começa a falhar.<br />
Em tempos de crise é importante que se reforce a solidariedade, sobretudo em relação aos mais débeis. Entre estes estão com certeza os imigrantes, especialmente quando vindos de longe e ainda sem qualquer estabilidade.<br />
Na semana passada estiveram reunidos em Liverpool, no Reino Unido, alguns bispos da Europa e da África, para descobrirem meios de entreajuda para com os imigrantes vindos da África, tantas vezes em condições desumanas, muito piores que as dos portugueses que ultrapassavam as fronteiras da Europa a salto, em meados do século XX. Um cardeal de África perguntava: o que se passa na Europa, que aspira as melhores energias e os jovens da África, deixando para trás os seus países, cada vez mais pobres? Os europeus não podem simplesmente fechar as suas fronteiras em tempo de crise, mas têm também que colaborar com os países de origem dos imigrantes, buscando modos de desenvolvimento global sustentável para todos. De contrário, também o nosso futuro fica ameaçado. As crises podem ajudar-nos a abrir os olhos, a ser criativos na busca de soluções viáveis para todos.<br />
<br />
2. Advento e a preparação do Natal<br />
Passo a um assunto mais relacionado com a vida interna da Igreja, o tempo do Advento, que ontem começou e se estende pelas quatro semanas antes do Natal. <br />
No comércio esse tempo já começou há semanas atrás. Mas ouvem-se as queixas de que o poder de compra dos portugueses diminuiu e que as vendas são piores que noutros anos. <br />
Embora seja bonito dar presentes aos amigos e aos membros da família por ocasião do Natal, no entanto não é essa a maneira mais adequada dos cristãos viverem o Advento. Para nós, o Natal lembra o nascimento de Jesus, de Deus que se faz um de nós e vem para todos os homens de boa vontade, abertos à verdade e aos seus semelhantes. Por isso, a melhor preparação desse acontecimento é o aprofundamento das nossas relações com todos aqueles com quem vivemos e até com a natureza que nos rodeia. Ora isto implica um certo despojamento de si mesmo e do supérfluo, para vivermos mais atentos ao essencial da vida, que consiste mais no ser que no ter.<br />
O tempo do Advento na oração e na vida da Igreja procura ajudar os cristãos a abrir-se aos valores essenciais da existência, pautando a vida por eles. E faz isso, incutindo uma grande esperança de que é possível viver segundo os critérios de Jesus Cristo, que, sendo Deus, se despojou da sua grandeza, assemelhando-se em tudo a nós, excepto no pecado, vivendo para Deus e entregando a sua vida para a salvação de todos.<br />
É esta aprendizagem que queremos fazer durante o tempo do Advento. Por isso vamos escutar mais a Palavra de Deus, revelada nas Escrituras Sagradas e proclamada na oração da Igreja, vamos viver mais atentos uns aos outros, sobretudo aos membros mais débeis da nossa família e sociedade, as crianças, os doentes, os idosos, os imigrantes separados das suas famílias. Assim teremos um rico Natal, rico de amor a Deus e aos outros, embora desprendido dos bens de consumo aliciante, mas empobrecedor do ser humano. <br />
<br />
Neste sentido, desejo a todos os ouvintes um tempo de Advento profícuo e repleto de esperança, apesar das dificuldades com que nos deparamos.<br />
Obrigado por me terem escutado uma vez mais e até para a semana, se Deus quiser.<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 02  December 2008 22:30:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Francisco Pólvora</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=54</link> 
        	<description>No conturbado mundo actual da educação, continuamos perdidos, demasiado centrados no estatuto da carreira docente ou naquilo que não se aceita, bem como no modelo de avaliação proposto por Maria de Lurdes Rodrigues e pelo seu Ministério. Por muita razão que os professores possam ter, e alguma terão certamente, não podemos deixar que esta questão tome conta das escolas e da actividade docente sob pena de estarmos a prejudicar os alunos. <br />
Que os alunos são e devem ser o centro de todo o processo educativo, já sabemos. Que são a razão de existência da profissão e das escolas, também. <br />
A escola que queremos deve ser exigente desde o primeiro dia. E deve ser um lugar em que o trabalho e o esforço são premiados. Responsabilidade, é um valor que deve ser incutido logo desde a infância. A participação nas actividades deve ser estimulada mas regrada. É importante que os meninos aprendam desde tenra idade os verdadeiros valores da democracia. É preciso aprender a respeitar o outro, é preciso aprender o sentido do outro. Os nossos alunos têm que aprender que há limites e que há regras e têm que aprender a respeitá-las. O professor, tal como o pai, não pode ser apenas o amigo. Além de amigo, o pai é pai e não podemos esquecer as hierarquias, quer familiares, quer no espaço escola. <br />
A escola actual tem-se pautado, cada vez mais, por um nivelamento por baixo, e à semelhança do que vem acontecendo na nossa sociedade, tem vindo, de forma crescente, a tornar-se demasiado proteccionista. E o proteccionismo em demasia leva ao desleixo, à inacção, à letargia, ao não faço porque alguém fará por mim, não procuro porque alguém há-de encontrar uma solução para o meu caso. E vamo-nos deixando andar. Protege demasiado e exige pouco. Os professores gastam horas em reuniões debatendo aqueles que são problema, aqueles que nada fazem, e pouco se faz, ou fala, daqueles que realmente trabalham, daqueles que querem aprendem e que aprendem de facto. A escola que queremos deve apostar no mérito, nivelar por cima, e exigir. Aprender exige esforço e que eu saiba, até hoje ainda ninguém conseguiu aprender por osmose. <br />
Francisco Pólvora <br />
</description> 

			
			<pubDate>Thursday, 27  November 2008 18:32:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja </title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=52</link> 
        	<description>1. Responsabilidade civil e liberdade<br />
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Com votos de um bom dia para todos os ouvintes da Radio Pax e leitores dos órgãos de comunicação, vou nesta semana tocar novamente dois assuntos, um mais de foro civil e outro da vida eclesial.<br />
A nossa sociedade atravessa um momento de algumas perturbações, que afectam a nossa autoestima e coesão, em vários sectores, sejam eles da área da economia, da cultura e até da religião. Não é só nas escolas. Também acontece em relação às instituições de solidariedade social, quer ligadas à Igreja ou não, mas na sua grande maioria da iniciativa da sociedade civil e que envolvem muitos voluntários, a desempenhar tarefas directivas ou como visitadores e colaboradores. Nas várias valências de apoio em que estão empenhados sentem alguma dificuldade de funcionamento, não por causa das pessoas a que se dedicam, mas devido aos funcionários dos organismos da tutela, geralmente conectados com o Estado, que nem sempre sabem exercer a sua missão no sentido de estimular a sociedade civil e o seu voluntariado social, mas mais no sentido da autoridade que busca o poder e não o serviço.<br />
Seria bom que todos assumíssemos as nossas responsabilidades, não para complicar a vida às pessoas e muito menos às instituições de solidariedade, mas para nos ajudarmos no sentido de melhor servir os que mais precisam, dentro daquilo que é razoável e está dentro das nossas possibilidades. Não podemos impor por decreto-lei aquilo que noutros países mais ricos já e qualificados já se faz.<br />
Todos estamos de acordo que a pessoa em necessidade deve ter a prioridade, mas também aqueles que voluntariamente a apoiam merecem a nossa gratidão e ajuda. Não é o dinheiro das prestações públicas que paga e cobre todos os nossos serviços, e muito menos a nossa amizade e carinho. Sabemos bem que o Estado sem a colaboração da sociedade civil não tem capacidade de arcar com todas as responsabilidades sociais. As instituições que dependem exclusivamente do Estado ficam mais caras ao fisco e não prestam melhores serviços. Por isso é obrigação do Estado colaborar com a sociedade civil e não suprimi-la ou retirá-la da responsabilidade social, cultural e familiar. E não apenas colaborar, mas até mesmo mostrar apreço e gratidão pelas suas prestações. Por isso aqui fica o apelo ao funcionalismo público, para não intervir na sociedade civil com autoritarismo ditatorial, mas na atitude de ajudar a melhor servir. Num regime democrático e social, o Estado não tem o monopólio social, cultural e económico, mas sim a função moderadora e supletiva. Antes do Estado existe a família e a sociedade. Se estivéssemos mais conscientes desta verdade e fôssemos mais consequentes, poderia haver crises e dificuldades, mas também menos conflitos e mais vontade de trabalhar para melhoria da situação. Como diz o nosso povo, “a quem servir a carapuça que a enfie”, e não me ponho de parte.<br />
 <br />
2. Fim de ano e ano novo<br />
<br />
Na vida da Igreja, marcada e animada pelo seu coração, que recebe o oxigénio na oração comunitária, a Liturgia, terminamos esta semana o ano com a solenidade de Cristo, Rei do Universo, ontem celebrada, e iremos dar início a um novo ano com a celebração do Advento, as quatro semanas que antecedem a festa de Natal. Quando um ano chega ao fim e nos encontramos vivos, é motivo de estar gratos ao Senhor da Vida, que para os cristãos é Deus, mas também altura de nos perguntarmos se aproveitamos bem o tempo, se nos fortalecemos, pelos menos espiritualmente, isto é, se somos capazes de viver com mais alegria e esperança, apesar das dificuldades e crises, ou dito por palavras mais adequadas, se amamos mais a Deus e ao nosso próximo. Se assim for, poderemos caminhar para o novo ano eclesial com muita esperança de continuarmos a progredir, a fortalecer-nos e por isso podemos com a oração da Igreja clamar: “Vem, Senhor Jesus” (“maranatha”, como diziam os primeiros cristãos na sua língua aramaica). Vem, Senhor, vem ao nosso mundo e salva-nos da corrupção, da mentira, da injustiça, da guerra, do pecado. Vem trazer-nos a paz do coração e entre os homens, para que possamos ajudar-nos mutuamente a encontrar o pão que mata as nossas fomes, a do corpo e a do espírito.<br />
Os cristãos deveriam alimentar-se mais da Palavra de Deus, ajudar-se na sua compreensão e vivência, para não nos contentarmos apenas com o pão material, que apenas alimenta o corpo e as suas necessidades e desejos, mas, tomado como alimento exlusivo, pode abafar as aspirações do espírito.<br />
Na cidade de Beja as paróquias retomam esta semana as assembleias familiares, iniciadas no ano passado, como preparação para a vinda da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima e da celebração do Pentecostes, isto é, da solenidade da vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos, há cerca de 2.000 anos e sobre nós, que acreditamos em Jesus Cristo através do testemunho dos mesmos Apóstolos. Nessas assembleias teremos textos para a reflexão, em ordem a podermos responder com toda a firmeza, quem é Jesus Cristo para mim e para o mundo, Aquele a quem Paulo perseguia e com quem se encontrou no caminho de Damasco e o fez mudar de vida, a ponto de poder exclamar: “Para mim viver é Cristo, e tudo o resto é lixo”. Só faz esta experiência transformadora da vida quem busca e se põe a caminho da comunidade, se deixa iluminar pela Palavra de Deus.<br />
Para todos, boa preparação do Natal de 2008 através do itinerário das 4 semanas que o antecedem, o tempo de Advento.<br />
Por hoje basta. Obrigado por me ter escutado uma vez mais e até para a semana, se Deus quiser.<br />
<br />
António Vitalino, Bispo de Beja <br />
</description> 

			
			<pubDate>Thursday, 27  November 2008 10:49:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Paulo Arsénio</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=51</link> 
        	<description>O Professor<br />
<br />
De entre os muitos assuntos que a actualidade regional, nacional e internacional nos proporcionou ao longo da última semana, gostaria de destacar um do qual não dependem, felizmente, nem as nossas vidas, nem a vida do dia a dia do país. Refiro-me contudo a um assunto que ainda assim não deixa indiferentes a maioria dos portugueses. Refiro-me ao futebol e à selecção nacional. Na passada Quarta-Feira levou uma cabazada como nunca levara desde que eu nasci. <br />
Tive o bom senso de me ir deitar ao intervalo sem adivinhar o que iria acontecer na segunda parte. Mas a selecção treinada pelo professor não agarra ninguém a não ser os indefectíveis do professor com destaque para o senhor Rui Santos. <br />
<br />
Mas vamos por partes. Sacudiu-se o melhor treinador de Portugal de sempre, seguido de Otto Glória em segundo lugar, diga-se com justiça, e de Humberto Coelho, em terceiro. E sacudiu-se porquê? Porque ganhava rios de dinheiro, dizia-se, porque não convocava Quaresma e o grande Vítor Baía, dizia-se, porque era arrogante, dizia-se.<br />
<br />
Um conhecido chegou mesmo a confidenciar-me que iria encerrar a sua conta bancária na Caixa Geral da Depósitos porque Scolari era o rosto da campanha publicitária da instituição e não estava para o alimentar. Espero que não tenha mudado para o BPN. Senão alimentou outros.<br />
<br />
O tempo de Scolari já lá vai e não vale a pena ter saudades ou pedir que volte. Não faz sentido. Mas Scolari, encheu estádios por esse país fora com a selecção, fez com que muitos portugueses aprendessem o hino, com que as mulheres fossem mais ao futebol dando outro colorido aos estádios. Existiu empatia entre o povo e a equipa de todos nós e foram desfraldadas milhares de bandeiras por esse país fora. As pessoas saiam à rua aos milhares frente a ecrãs gigantes um pouco por todo o país, as caravanas automóveis enchiam as ruas das vilas e das cidades de Portugal para comemorar os sucessivos feitos de uma selecção de um país tão pequeno. Os nossos emigrantes sentiam orgulho porque eram respeitados em função do nome de Portugal no desporto-rei. <br />
<br />
Mas tudo isto fazia impressão a muita gente e sob argumentos que nunca compreenderei, os comentadores deste país, pagos a peso de ouro para comentarem desporto, não descansaram enquanto não sacudiram o homem que contribuiu para o nosso sucesso e para o nosso prestigio. <br />
Mas fizeram mais: empurraram o professor de educação física de novo para o comando da selecção. Como estavam fartos de ganhar, venha lá o professor que estava no Manchester United. <br />
Eu até acho que o professor é um bom treinador de escolinhas, de infantis, de iniciados e até de juniores, agora de seniores é uma nulidade. Bem pode ter um staff de vários adjuntos e assessores, como tem, todos com tecnologias e computadores de última geração para estudar o movimento de cada um dos adversários. Mais vale uma imagem  da senhora de Caravagio de Scolari do que este staff de gente que trabalha para o professor e que contra dez albaneses em casa não consegue marcar um só golo.<br />
<br />
O Senhor Rui Santos defensor dos amigos e em contra-ciclo com o estado de espírito dos portugueses que gostam de futebol e que gostam que a nossa selecção tenha algum prestigio e algum sucesso, vem dizer agora que o professor recebeu a selecção em condições muito difíceis. E ainda ganha dinheiro, muito dinheiro, imagine-se, para dizer estes disparates. <br />
Mas é assim que este país se fabrica. Ou se destrói. Quando as coisas correm bem, logo se juntam grupos para deitar abaixo o que está bem. Quando há sucesso, logo se juntam grupos, em acção corporativa – e não é só no desporto, sublinho -, para destruírem o que tanto demorou a construir e arranjarem confusão e problemas onde antes não existiam.<br />
<br />
Portugal que é 10.º classificado no ranking de futebol da FIFA, foi humilhado no Brasil. Portugal, futebolisticamente, recuou 53 anos no tempo em apenas hora e meia, em Brasília.<br />
<br />
No banco de Portugal o professor jogava as mãos à cabeça e Quim, e Quim, não jogava as mãos a nada, porque nada agarrava. O que teriam dito os comentadores abutres de ti Ricardo que nunca sofreste mais de 3 golos na baliza de Portugal se naquela noite tivesses estado entre os postes?     <br />
<br />
Afinal temos uma selecção à imagem de uma parte do país. Em que triunfam os medíocres, os que falam mal e os que não convivem bem com a alegria e com o sucesso. Triste fado o nosso.<br />
<br />
Já agora: o treinador anterior assinou sempre contratos de 2 anos com a Federação Portuguesa de Futebol. O professor, não fosse o diabo tecê-las, assegurou logo um farto contrato de 4 anos, garantindo à partida uma choruda indemnização se for despedido antes de decorrido esse prazo, a pagar pela Federação, isto é, pelos contribuintes portugueses. Afinal parece que o burro foi mesmo Scolari.        <br />
                         <br />
Paulo Arsénio</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 25  November 2008 08:37:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Francisco Pólvora</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=53</link> 
        	<description>Deslizes da Manuela <br />
Momentos infelizes todos temos e saídas menos felizes, acontecem a todos. Quem é que não se sentiu já, em algum momento, que tinha metido o pé na argola ou como costuma dizer-se a pata na poça? Pode acontecer a qualquer um, mas não ao líder do principal partido da oposição, que ainda por cima almeja ser primeiro-ministro de Portugal. Manuela Ferreira Leite tem falado muito pouco, mas mais uma vez mostrou que mais valia estar calada. <br />
O que me faz confusão é como é que a líder do PSD, o principal partido da oposição e candidata a primeiro-ministro dá azo a estas confusões, quando se questionou se «não seria bom 6 meses sem democracia para pôr as coisas em ordem». Ainda que alguém ouse saltar em sua defesa alegando que Manuela Ferreira Leite queria ironizar, não me consegue convencer. Se quisessse ironizar e qualificar o governo actual de autoritário e despotista, teria então dito que precisavamos, não de 6 meses sem democracia, mas sim de 6 meses com democracia. Aí sim seria irónico, considerando que a senhora queria dizer que vivemos em tempos com deficite democrático. Não consigo fazer a leitura oposta que alguns dos seus colegas de partido alvitraram em sua defesa. <br />
E depois, a senhora, nada tem em seu abono. Já fez parte do governo de Cavaco Silva e provou que valores democráticos para o seu lado não abundam, acompanhados da sua forma de estar fria e austera. <br />
Se o PS já estava a capitalizar com a sua escolha para líder do principal partido da oposição e candidata a primeiro-ministro, mais capitaliza quando a senhora com esta monobras de diversão, a roçar o hilariante e o triste, simultaneamente, vêm lembrar tomadas de posição ao jeito de um Alberto João Jardim. <br />
Se o governo até poderia, por via do descontentamento de alguns grupos sociais, estar numa fase menos confortável, esta senhora vem chamar a si todas as atenções pelos piore motivos. Como diz Luis Felipe Menezes, «porque não se cala» ou «porque não se vai?» <br />
Bem caladinha até tem andado, e porque não se vai? Bom já agora que fique, pelo menos, até às eleições. O Partido Socialista agradecerá com certeza. <br />
Francisco Pólvora <br />
</description> 

			
			<pubDate>Thursday, 20  November 2008 18:31:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Revez</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=50</link> 
        	<description>As últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos foram ricas em equívocos e surpresas, mas, feito o balanço, não deixam de representar a vitalidade e a imprevisibilidade da democracia, mesmo nos moldes, discutíveis, norte-americanos.<br />
Centro-me só num aspecto, porque é dele que derivam certas apropriações enviesadas e caricaturais, mas também algumas surpreendentes novidades, reveladoras da permeabilidade do cidadão ao campo não político, neste caso biográfico e antropossocial, que constituí, também, a condição humana do político.<br />
Refiro-me à filiação étnica de Barack Obama e ao seu percurso e testemunho biográficos. Pois bem, por todos e à boca cheia foi dito e aclamado que Obama é negro afro-americano e que pela primeira vez na história do mais poderoso e dos mais racistas países do mundo, foi eleito um presidente negro para a Casa Branca. Ora, vale tanto dizer, quanto a Obama, que ele é negro como vale dizer que ele é branco, porque ele não é uma coisa nem outra, é filho de um queniano negro e de uma americana branca, foi cozinhado a meias, é uma combinação caucasiano-africana, é o resultado de uma mistura. A sua aparência física conjuga traços de negritude africana, mas também elementos anatómicos caucasianos. Obama, como tantos americanos, pertence e foi fruto da contribuição de dois paradigmas étnico-culturais que se cruzaram. Ele não é negro, não pode servir por identificação étnica, a bandeira dos que são negros efectivamente negros e que são negros também por força das discriminações, perseguições e restrições aos seus direitos cívicos, e por isso também não pode ser alvo dos brancos xenófobos e racistas e outros quejandos ainda nostálgicos da supremacia ariana mas bem presentes na violência racial. <br />
Obama pertence a ambas as famílias étnicas, e aqui reside a sua empolgante novidade política e ideológica. Ele é o símbolo do multi e interculturalismo, da globalização na sua positividade miscigenadora, juntou dois continentes sem querer, só por existir.<br />
Mas ele também tem um percurso de vida que junta dois mundos, o mundo das dificuldades e privações, e o mundo da abnegação, da mobilidade e ascensão sociais e económicas e do sucesso. Ele é o símbolo pós-moderno de uma família desestruturada, o filho que cresce com um pai ausente e distante, que vive os dramas e traumas a isso associados, mas que ao mesmo tempo luta corajosamente por se afirmar, por vencer na terra das oportunidades e por recuperar, pelo seu próprio exemplo, os valores das virtudes familiares tradicionais, juntamente com o valor da humildade, da perseverança e do trabalho. Portanto, Obama intersecta também pela sua própria vida, a resistência lutadora e a aprovação da tradição moral.<br />
Não sei se quem venceu as últimas eleições americanas foi o discurso político de Obama, ou as suas propostas para o saneamento da economia americana, ou a sua perspectiva sobre a política militar e externa norteamericanas. Acho que quem venceu as eleições foi a vida de Obama, a sua biografia, mas que é também, a ser assim, ou em parte assim, uma importante vitória política da esquerda e dos seus valores.<br />
António Revez</description> 

			
			<pubDate>Wednesday, 19  November 2008 14:15:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Francisco Pólvora</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=49</link> 
        	<description>A educação em Portugal volta a estar na ordem do dia, enche páginas de jornais e grande parte dos telejornais das televisões portuguesas. Sindicatos, professores, alunos e Ministério da Educação, não parecem entender-se e esgrimem argumentos na praça pública. Se o Sábado, dia 8 de Novembro, ficou marcado pela maior mobilização de professores alguma vez vista em Portugal, o dia de S. Martinho, ficou marcado pelo triste episódio dos ovos de Fafe. E se com Fafe ninguém fanfa, aqueles meninos também têm que aprender o que é ser fafense e quais são os limites da democracia. Pode ser que isso lá vá com umas lições de cidadania, o que eu duvido.  Mas sei, isso sim, que estas cenas são inadmissíveis e intoleráveis. <br />
Mas vamos ao que interessa: o desacordo entre professores e Ministério da Educação. <br />
Ainda que a Ministra não o queira admitir e continue a dizer que \"não vale a pena criar a ilusão de que isto está um caos\", eu acho muito sinceramente que sim, que neste momento já estamos no caos completo, e não lhe vejo solução fácil à vista.  Professores descontentes, cansados e desmotivados, mau ambiente nas escolas, escolas a suspender o modelo de avaliação, reuniões gerais de professores que se sucedem em catadupa, reuniões intermináveis que não chegam a lugar nenhum e põem em risco a sanidade dos seus intervenientes, leia-se professores, não são decerto os melhores sintomas.  Chegamos a um ponto que me parece insustentável.  Assim não podemos prosseguir.  Que se diga que os professores não querem ser avaliados, não me parece verdadeiro e não acredito.  Quem trabalha ou trabalhou numa escola sabe bem como é bom e é importante ver o resultado do seu trabalho reconhecido, ainda mais quando, numa profissão como esta, se trabalha para os outros.  Os professores que trabalham, e atenção ainda não são todos, mas são muitos os que trabalham e muito bem, não temem avaliações e querem ser avaliados.  Que este modelo de avaliação suscite algumas dúvidas no que diz respeito à sua aplicabilidade, é muito provável.  O que teoricamente até é um modelo razoável e que pode parecer funcionar, quando aplicado e quando analisado, particularmente, nas escolas, facilmente se percebe que não pode funcionar e que não é isto que queremos. E, entenda-se,  não discuto sequer as virtudes do modelo teórico, que com certeza até existirão. <br />
Acredito, isso sim,  numa formação continua de professores sólida e séria, numa actualização ao minuto.  Os professores têm que \"perder tempo\" ou \"gastar tempo\", não com trabalho burocrático e em reuniões intermináveis e inúteis, mas sim a partilhar práticas, a conhecer novas formas de fazer, a  crescer a nível científico e pedagógico.  E nessa altura a maior parte do trabalho burocrático que hoje domina as nossas escolas passaria a ser perfeitamente desnecessário, e os ganhos para os alunos, que são o centro de todo este processo, seriam muito maiores, não tenho dúvidas. <br />
Como diz Manuel Alegre, e o diálogo deverá ser sempre possível, sentemo-nos e conversemos, porque ainda vamos a tempo, e vale sempre mais tarde do que nunca e os professores necessitam e merecem ser valorizados.     <br />
Mas uma coisa também é certa:  é que, independentemente da solução que venha a ser encontrada para o problema pelo Ministério da Educação, vai deixar sequelas porque a ferida está aberta e mesmo não estando no sistema neste momento dói-me e muito, ver que já ninguém faz com prazer, aquilo que eu sempre fiz com muito gosto: ensinar. <br />
Francisco Pólvora</description> 

			
			<pubDate>Wednesday, 19  November 2008 14:14:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=48</link> 
        	<description>1. Perturbações na escola<br />
Depois de uns dias de silêncio nos meios de comunicação social sobre a polémica da avaliação, que na opinião pública ficou como sendo ela mesma polémica, permitam-me os estimados ouvintes que venha recordar algumas ideias a este respeito, não para deitar água na fervura ou absolver alguns excessos das partes envolvidas, mas sim para incentivar todos os responsáveis a continuar o diálogo, para bem de toda a sociedade, pois a escola é uma realidade que interessa a todos e sem ela não poderemos construir o bem comum do nosso povo.<br />
Não vou apontar os exageros de qualquer uma das partes, mas simplesmente exprimir a minha mágoa com o que está a acontecer. Assim, não educamos as novas gerações, pois os mais velhos, sejam eles políticos, professores, funcionários escolares ou familiares dos alunos, têm de, mais que ensinar ou manter a ordem, dar o bom exemplo de pessoas educadas, dialogantes, interessadas pelo bem comum, e não centradas em si mesmas ou nas suas ideologias.<br />
A perturbação no sistema educativo, com constantes experiências pensadas apressadamente e mal avaliadas por todas as partes envolvidas, sem esquecer os alunos, o centralismo do poder estatal na escola e o uniformismo das medidas adoptadas (parece quase que voltamos ao modelo único do Estado Novo), não favorece o ambiente escolar, social e familiar. Alguns desacatos em escolas da nossa pacata sociedade alentejana também são reflexo da instabilidade educativa verificada nas escolas e nas famílias. Por isso, todas as forças sociais, sejam elas políticas, culturais, religiosas ou familiares têm de se acalmar, entrar em diálogo, assumir a própria responsabilidade e sentir liberdade para seguir a sua consciência na concertação com todos os responsáveis do seu sector, neste caso a escola, para assim dar o contributo possível em ordem à construção de uma sociedade integrada por cidadãos, de todas as idades, interessados no progresso, em vista do bem comum, que será o melhor para todas as partes.<br />
Talvez pensem os estimados ouvintes de que se trata de conselhos vagos ou então digam com o dito popular: “bem prega frei Tomás...”. Em parte têm razão, mas sem bom senso, diálogo, esforço e amor às nossas crianças, jovens e suas famílias, não vamos longe, ou antes, andaremos para trás. Deixemo-nos, pois, de frenesins, façamos diariamente a avaliação breve do nosso trabalho, quase à maneira de exame de consciência, e, dia a dia, daremos passos em frente e contribuiremos para um futuro melhor de todas as partes envolvidas.<br />
<br />
2. Bispos em diálogo, e não de costas voltas<br />
Na semana passada reuniram-se os bispos portugueses em assembleia plenária, em Fátima, o que acontece duas vezes por ano, para além do retiro e das jornadas de reflexão. Alguns órgãos de comunicação difundiram a ideia de que havia bispos em desacordo e até mesmo zangados uns com os outros. Na realidade há bispos que, analisando a situação da Igreja em Portugal, apontam deficiências da sua acção e do seu impacte junto do povo, buscando causas para a diminuição do número de católicos praticantes da missa dominical e da perda de influência nas estruturas sociais. Estas ideias foram divulgadas a propósito das observações feitas pelo Papa no discurso de encerramento da visita dos bispos portugueses a Roma, precisamente há um ano atrás. De facto tem-se feito alguma reflexão sobre a perda de número e de força dos católicos em Portugal. Mas a verdade é que os bispos estão gratos aos seus colegas que analisam as causas e apontam caminhos para ultrapassar as deficiências da missão eclesial, sobretudo no que se refere aos bispos e ao clero. Estamos conscientes que não é fácil agir na dimensão espiritual da pessoa humana, sobretudo num tempo de crescente materialismo e egoísmo feroz. Se na área da educação e da escola há dificuldades crescentes no exercício da missão das pessoas envolvidas, muito mais na missão eclesial, apesar da liberdade religiosa.<br />
Mas, como pessoas fé e de esperança, sabendo que somos enviados a agir em nome do Senhor da história, procuraremos acolher todas as sugestões válidas dos nossos colegas e continuaremos a semear com generosidade e abundância, confiados no Senhor da Messe, que prometeu ficar connosco até ao fim dos tempos.<br />
Ao encerrarmos a semana de oração pelos seminários, quero agradecer a Deus os seminaristas que frequentam o nosso seminário de Beja e também aos meus colaboradores ocupados na sua formação. Ao mesmo tempo peço aos diocesanos que continuem a apoiar o nosso seminário, com interesse e oração, para que todas as comunidades possam ter os padres que precisam.<br />
Por hoje, fico-me por aqui. Obrigado pela sua escuta e atenção e até para a semana, se Deus quiser.<br />
<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Wednesday, 19  November 2008 14:13:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Hugo Lança</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=47</link> 
        	<description>Quando por duas vezes no mesmo ano, milhares de professores se deslocam a Lisboa para se manifestarem contra a Ministra da Educação, é bom senso reconhecer que a classe docente está genuinamente ofendida com a Ministra. Importa reconhecer que nos últimos anos os funcionários públicos foram os principais prejudicados na luta contra o famoso deficit e que algumas alterações legislativas defraudaram as legitimas expectativas destes profissionais, que se sentiram atacados em alegados direitos que pensavam adquiridos! <br />
Por detrás destas mega manifestações, não estão apenas interesses políticos nem a sagacidade de sindicatos que pretendem nas ruas o que os seus partidos perderam nas urnas: esta luta tem na sua base o genuíno descontentamento da larga maioria de uma classe profissional, profundamente descontente com a Ministra. E com legitimas razões de queixa! <br />
Assumido isto, faço-me a pergunta que muitos outros me fazem: porque insisto na defesa desta Ministra, criticada pela quase totalidade do País? Acredite, meu caro ouvinte, que não me move nem o espírito de contradição nem estou imbuído de vil teimosia! <br />
Sou funcionário público e, como tal, faço parte daqueles cujas expectativas foram defraudadas nos últimos cinco anos: por dois anos não tive direito a aumento de vencimento e convivo desde há três com o estigma das carreiras congeladas, impedindo uma promoção que achava ter conquistado por direito e trabalho próprio! Mais. No caso específico do Ensino Superior, sofremos na pele a confusa implementação de um obscuro processo de Bolonha, misturado com sucessivos cortes orçamentais e sub-financiamento que estão a estrangular o funcionamento de Universidades e Politécnicos, com prejuízo de alunos e docentes. Pelo que fica exposto, se me limitar a olhar para o meu umbigo, tenho um imenso rol de razões para culpar este e o outro Governo!<br />
Mas não acho que devemos limitar-nos a olhar para o nosso umbigo; cingindo-me à causa da educação, importa recordar que a primeira função da Ministra não é garantir os direitos dos professores, mas tutelar os interesses dos estudantes. Se insisto em defender a Ministra da Educação de um Governo que me tirou dinheiro do bolso, se cometo a blasfémia de afirmar que Maria de Lurdes Rodrigues é a melhor Ministra da Educação do Portugal democrático, deve-se ao facto de estar convicto que as suas principais bandeiras, são marcos de cidadania e vão mudar para muitíssimo melhor o ensino que se pratica hoje em Portugal: não ignoro que os professores não gostam, mas as aulas de substituição, a avaliação dos professores, as avaliações das escolas, a divisão da carreira, a estabilidade na carreira com contratos a 3 anos e as aulas com tempo integral, são medidas cruciais, ponderadas e muito necessárias! <br />
Sou o primeiro a compreender que defender esta Ministra no actual contexto é uma enorme tolice: obviamente que nem a Ministra nem o seu partido me agradecem e as minhas posições melindram pessoas que estimo, professores que admiro, que se sentem ofendidos pela minha incompreensão, dos direitos de uma classe, da qual me sinto parte! Mas escolho não me calar: porque se a democracia é a vontade da maioria, isso não significa que todas as maiorias sejam donas da razão! E com magníficos professores que tive, que muito estimo e admiro, aprendi que colocar os meus interesses pessoais acima dos interesses gerais é um egoísmo inaceitável! E é em homenagem a estes professores, que me assumo contra a luta dos professores… <br />
<br />
Hugo Lança</description> 

			
			<pubDate>Thursday, 13  November 2008 17:03:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: António Vitalino, Bispo de Beja</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=46</link> 
        	<description>1. A eleição do novo Presidente dos Estados Unidos da América do Norte<br />
<br />
Embora os ouvintes da Radio Pax não esperem do Bispo de Beja análises dos acontecimentos políticos, nem muito menos pronunciamentos sobre candidatos partidários, no entanto penso que devo exprimir a minha sensibilidade sobre a opção da maioria dos eleitores americanos pelo candidato do partido democrático, o senador Barack Obama. Optaram por um afro-americano, num país que, há pouco mais de quarenta anos, conhecia a segregação racial em relação aos americanos de raça negra. Todos temos bem viva a luta pacífica de Martin Luther King e o seu assassínio, quando exprimia o seu sonho de uma sociedade integrada por gente de todas as raças e credos... Mas, além disso, trata-se de um imigrante africano de segunda geração apenas, que se integrou na sociedade americana até chegar à suprema liderança política do país de acolhimento. Entre nós celebra-se o Ano Europeu do Diálogo Intercultural, em ordem a favorecer uma gestão da diversidade cultural da União Europeia. Os Estados Unidos da América do Norte, país onde todos os extremos parecem ser possíveis, dão-nos um exemplo concreto da riqueza dessa diversidade, que contribui para o bem comum, se acolhida e integrada na vida social. Num mundo marcado pela mobilidade, enquanto a Europa está preocupada com a defesa das suas fronteiras, a eleição de Barack Obama alerta-nos para a riqueza das migrações e do intercâmbio entre os povos, as raças e as culturas. Oxalá este exemplo seja bem sucedido, como estímulo para a superação de racismos, guetos e nacionalismos.<br />
<br />
2.  Sínodo sobre a Palavra de Deus<br />
<br />
Uma segunda nota refere-se a um acontecimento marcante da Igreja Católica, que teve lugar em Roma, durante o mês de Outubro. Refiro-me ao Sínodo dos Bispos, isto é, a uma reunião de representantes de toda a Igreja, convocada pelo Papa de três em três anos, para reflectir sobre temas importantes da sua missão. Este último Sínodo debruçou-se sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Como sabemos, para os cristãos a manifestação do projecto de Deus acerca da vida humana está contida na Bíblia, um conjunto de livros escritos ao longo de vários séculos, a partir dos fundadores do povo israelita até à morte do último apóstolo, nos finais do primeiro século da nossa era e que se repartem em Antigo e Novo Testamento, se escritos antes ou depois do nascimento de Jesus de Nazaré. Desde então, esses livros, escritos originalmente em hebraico e grego, foram traduzidos para quase todas as línguas e comentados por muitos pensadores. Mas isso não significa que todos os seguidores de Jesus Cristo, os cristãos, os conheçam, leiam e meditem.<br />
Durante muitos séculos, antes da invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, a leitura da Bíblia era feita sobretudo nos mosteiros e igrejas, em línguas já desconhecidas da maioria das pessoas. O povo simples limitava-se a escutar. Com a reforma protestante começou-se a traduzir a Bíblia nas línguas populares, mas na Igreja Católica manteve-se o povo afastado da sua leitura. Foi no século XX que se fez grande divulgação da Bíblia entre os católicos, a ponto de quase todas as famílias terem um exemplar em suas casas, pelo menos do Novo Testamento. Muitos cristãos continuam ainda hoje a desconhecê-la ou têm dificuldade de compreensão. Este Sínodo veio reavivar a memória dos cristãos e recomendar-lhes a  Bíblia como livro de meditação e oração. Como dizia S. Jerónimo, que traduziu os livros da Bíblia para o latim popular, no princípio do século V, desconhecer a Bíblia é não conhecer a Cristo.<br />
Também na nossa diocese de Beja estamos a fazer um grande esforço para tornar a Bíblia mais acessível, pois ela contém palavras de vida, de esperança, de ânimo, de consolação e guia, para todas as situações da nossa vida. Quando meditamos os livros da Bíblia, chegamos à conclusão dos Apóstolos, quando desafiados por Cristo, se acaso também queriam afastar-se dele: “para quem iremos nós, Senhor? Só tu tens palavras de Vida eterna”.<br />
No final deste mês recomeçam as assembleias familiares na cidade de Beja, dando continuidade ao projecto de missão, iniciado no ano passado. Se deseja participar, informe-se na sua paróquia, sobre os lugares onde funcionam essas assembleias.<br />
Por hoje fico-me por aqui. Obrigado por me ter escutado e até para a semana, se Deus quiser.<br />
<br />
† António Vitalino, Bispo de Beja<br />
</description> 

			
			<pubDate>Wednesday, 12  November 2008 08:39:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Paulo Arsénio</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=45</link> 
        	<description>AMORES<br />
<br />
	De todas as histórias de amor aquela que melhor define o conceito, arrisco a dizê-lo, será “Romeu e Julieta” do poeta e dramaturgo britânico, William Shakespeare. Em 5 actos descreve a rivalidade e o ódio entre duas poderosas famílias de Verona, os Montecchio e os Capuleto. <br />
A trama prossegue com amor, com sangue, com veneno e com morte. No final, o amor triunfa e as personagens principais da narrativa, morrendo ambos por esse sentimento, não assistem ao perdão das respectivas famílias e à jura eterna de paz entre ambas.<br />
<br />
Outras histórias há, com finais menos dramáticos, mas em que igualmente encontramos traços de amor muito significativos. O caso da paixão que uma força política da nossa região sente pelo semanário “Diário do Alentejo” é um desses casos marcantes que nos deixa quase com lágrimas nos olhos.<br />
<br />
Ao longo de anos sempre viu o jornal como seu. Unicamente seu. Como sendo sua propriedade, como lhe pertencesse em exclusivo. Aproveitam todas as edições para, nessa sua paixão, relatarem o profundo amor que nutrem pela classe trabalhadora e pelos povos. Paixão e entrega superior a qualquer outra força de carácter político ou cívico. Aliás, estas outras forças dificilmente podem aceder ao jornal em causa. O seu propósito é nobre e não pode ser conspurcado com notícias das forças imperialistas. Quando é preciso cortar, corta-se. Não se publica. Que o diga José Pires dos Reis, por exemplo, num caso publicamente revelado em sessão da Assembleia Municipal de Beja, queixando-se, e com justiça, de que um seu artigo tinha ficado por publicar numa determinada edição do jornal. O autor não soube interpretar os objectivos mais altruístas do semanário e em vez de criticar o governo de Sócrates, imagine-se, atreveu-se a escrever sobre Hugo Chávez. Pobre sorte o esperou. Pires dos Reis esqueceu-se que o jornal não era dele mas sim da força política que o adora acima de tudo neste Alentejo e que quer apenas, de forma simples e humilde, fazer passar através dele a sua mensagem. A mensagem política da verdade. Da sua verdade.   <br />
<br />
Agora encontra-se em fase de análise em sede de especialidade na Assembleia da República uma proposta de lei do governo, aprovada na generalidade, que liberta, entre outros, o “Diário do Alentejo” desta força política, afinal o seu amor de sempre. <br />
A força política não aceita, não compreende e não entende. Não aceita, não compreende e não entende, que sufocou o “seu” jornal até ao limite. Que não o deixou respirar, que o asfixiou na cegueira de através das suas páginas querer transmitir a verdade ao povo. Para que o povo obedeça. A força política que não se quer desfazer desta união impossível, porque viola as mais elementares normas de liberdade a que o “Diário do Alentejo” tem direito, não entende que é, devido ao uso que fez da sua paixão a única responsável pela sua libertação da mesma.<br />
Bem que pode chorar lágrimas de crocodilo agora. Porque agora é tarde.  <br />
<br />
O povo sempre disse que o amor é cego. Mas neste caso a força política que está agarrada ao “Diário do Alentejo”  até vê. Vê, e vê muito bem. Mas recusa-se a aceitar que o “Diário do Alentejo” possa ser livre, que possa ser democrático, que possa ser de todos aqueles que o pagam e que são um conjunto alargado de  municípios. <br />
 <br />
Desejo somente que o “Diário do Alentejo”, quiçá privatizado, deixe finalmente de ser um refém, que deixe de ser um escravo conhecido em todos os lugares que percorro pela alcunha embaraçosa de “Avante Alentejano”. <br />
<br />
Ao contrário de outros não aponto dedos nem peço demissões. Nunca o fiz. Só quero que esta história tenha um final feliz. E que ao contrário do dramático epílogo de “Romeu e Julieta”, no final, o “Diário do Alentejo” seja feliz para sempre. Que possa ser verdadeiramente independente e que tenha direito à liberdade.                               <br />
Paulo Arsénio</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 11  November 2008 10:17:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Francisco Pólvora</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=44</link> 
        	<description>As conversas são como as cerejas.  E ontem foi um daqueles dias em que não eram só umas cerejinhas,  vinham aos cachos.  À volta da mesa do café lá surgiu o tema CNO. O tema educação é sempre recorrente, quanto à volta da mesa se juntam alguns professores. Como somos um país da sigla já lidamos bem com elas, são os CNOS, os IPBS, os QRENS, PRODEPS, os PNES, os PITS, e podiamos encher aqui o resto da página, mas para quem ainda possa não saber, os vulgarmente chamados de CNOS, nada mais são do que os Centros de Novas Oportunidades, antes Chamados de RVCC, Centros de revalidação de competências.<br />
E o Centro de Novas Oportunidades nada mais faz do que o Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (R.V.C.C.). Ou seja, no Centro Novas Oportunidades o adulto vê identificadas e Reconhecidas as competências que possui e foi adquirindo ao longo da vida. Posteriormente estas competências são Validadas e Certificadas e ficam registadas na Carteira de Competências-Chave o que vai conduzir a um certificado correspondente ao nível B1, B2 e B3 (4º ano, 6º ano e 9º ano respectivamente) emitido pelo Ministério da Educação. <br />
Numa primeira leitura, e era esta a discussão à mesa do café, a ideia é boa, e a intenção não creio que seja menos boa.  Trata-se, isso mesmo, de dar oportunidade, uma chance, àqueles que, no seu devido tempo, a não tiveram.  Estou convicto e podia enumerar inúmeros casos de pessoas que conheço que, durante a sua vida e com as experiências que tiveram, quer a nível pessoal, quer profissional, muito aprenderam e é legítimo que queiram ver certificadas as suas competências, sendo que isso os valorizará, certamente, como pessoas.<br />
Mas como nós em Portugal temos o hábito de subverter e desvirtuar aquilo que até tem algumas virtudes, eu fico preocupado, e mais do preocupado, até assustado! E já começo a ver aí alguns meninos, que durante a escolaridade, nada fizeram senão importunar professores e colegas e que ao atingirem os 18 anos, e depois de um estágio de copos de dois ou três anos, em cafés, bares e discotecas da região, num dolce fare niente patrocinado pelos respectivos pais, inscrevem-se no Centro de Novas Oportunidades e zás, como por magia, num ápice, 2 ou três mesitos bastam, certificam competências. Mas que competências pergunto eu? Se antes as não tinham continuam a não as ter.<br />
É esse o meu receio, que como tomados de uma loucura colectiva, os Centros de Novas Oportunidades, que deverão fazer jus ao seu nome – OPORTUNIDADE - passem a ser fábricas de certificados de 9º ano em saldo, que nada significam, ou pior ainda se pensarmos isto à escala do secundário..     <br />
    <br />
Francisco Pólvora</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 11  November 2008 10:16:00 GMT</pubDate> 
		</item>


		<item> 

        	<title> Crónicas de Opinião: Rodeia  Machado</title> 
			<link>http://www.radiopax.com/index.php?go=blogue&amp;progid=14&amp;id=43</link> 
        	<description>Hoje em dia, a distância entre dois pontos, tornou-se pequena pese embora seja enorme como é o caso, daqui de Portugal até à Costa Leste dos Estados Unidos da América, e quem diz, Costa Leste pode querer dizer todo e qualquer ponto do globo terrestre. O Telefone, e sobretudo a rádio, e mais tarde a televisão tornaram tudo mais perto. Mas mais recentemente a Internet, tornou tudo ainda mais perto e mais presente, na vida de todos nós.<br />
Vem tudo isto a propósito, das recentíssimas eleições nos Estados Unidos da América e da vitória claríssima de Obama e o que se tornou de perto uma análise, uma discussão e para muitos uma paixão e ao mesmo tempo um desafio, entre o poder instalado representado pelo candidato John Mccain do Partido Republicano e o candidato do Partido Democrata, o Senador Barack Obama.<br />
Se noutras eleições as diferenças não foram tão acentuadas entre candidatos, desta vez a diferença existia, apesar de todos sabermos que entre  aquilo que se diz nas Campanhas Eleitorais, e aquilo que fazem quando estão no poder vai uma enorme distância, e particularmente no que diz respeito aos políticos americanos onde o poder do dinheiro está acima de qualquer outra situação, por mais bem intencionada que seja.<br />
Todos sabemos isso, ou pelo menos deveríamos saber, já que em Portugal temos presentemente uma amostra da diferença entre aquilo que foi prometido em campanha eleitoral e o que esta a ser executado, mas adiante.<br />
<br />
Desta vez, o que estava em jogo, na política norte-americana, dizia e diz respeito ao que à escala global se passa, não só na economia, mas também no que se passa ao nível de interesses estratégicos financeiros, ou seja de política global que interessa fundamentalmente aos Estados Unidos da América e sobretudo à sua política militar, aos falcões que a dominam e que pretendem dominar cada vez mais o mundo.<br />
Quanto à primeira questão, a económica está demonstrada a exaustão a que levou a América e o Mundo, a política de casino, onde foi jogada permanentemente na bolsa a vida e o bem-estar de milhares de famílias que foram arrastadas para a miséria,  que ficaram sem lar, ou em vias disso, e que por arrastamento da sua política levaram à ruína bancos e outras instituições credíveis que foram apanhadas na rede, algumas por vontade própria da sua estratégia e da origem para que forma criadas e outras por má gestão dos seus administradores. Agora choram na cama, que é lugar quente, como diz o povo.<br />
O que é mais dramático é que aqueles que têm proclamado contra o Estado, são os mesmos que agora procuram o conforto do Estado para os salvar da ruína.<br />
A segunda questão em jogo nas eleições americanas  é a da dominação do mundo pelos falcões da indústria militar que queriam e querem dominar totalmente o  mundo, e que têm o expoente máximo na invasão do Iraque e na presença militar no Afeganistão, em nome do combate contra o terrorismo.<br />
Tudo isso esteve em jogo nestas eleições e OBAMA com as suas propostas oferecia uma janela de esperança para uma mudança embora curta, mas diferenciada quer no interior dos Estados Unidos, quer na política mundial, o que faz com que um pouco pelo mundo a esperança possa renascer de novo.<br />
Continuamos a saber, sobretudo os que querem saber e ouvir, que não será fácil ao Presidente eleito Barack Obama mudar a política no seio dos falcões americanos, mas espero, todos esperamos que possa fazer um bom trabalho no sentido de aliviar a vida àqueles que não têm direito à saúde, ou que não têm casa, nem alimentação condigna, e são muitos, muitos milhares de americanos.<br />
Por outro lado, espera-se que possa à escala global dar uma lufada de ar fresco, invertendo as políticas militares no Afeganistão e sobretudo no Iraque onde a ocupação tem levado à perda de milhares de vidas, entre elas a de centenas de militares americanos que ali têm perecido, em nome de políticas económicas dos Estados Unidos.<br />
Pela minha parte, estou certo que quereria outro candidato e outro presidente, que defendesse políticas diferentes, mas também sei que o presidente eleito dos Estados Unidos da América é manifestamente  um presidente de esperança, num mundo que precisa urgentemente de mudança.<br />
E tudo isto, mesmo nesta aldeia global, em que o mundo se tornou, a esperança e o sonho são importantes, ou como diz o poeta: “ sempre que o homem sonha, o mundo pula e avança”<br />
Esperemos que esta réstia de sonho e esperança se torne realidade e que o mundo avance mesmo, para bem da humanidade.<br />
<br />
Rodeia Machado	<br />
</description> 

			
			<pubDate>Tuesday, 11  November 2008 10:14:00 GMT</pubDate> 
		</item>

    
	</channel>
    </rss>
