Discrepâncias salariais

Vitor Silva - 22/05/2017 - 03:17

Discrepâncias salariais

Agora que se comemorou o 1º de Maio/Dia do trabalhador, veio noticiado na comunicação social que, nas empresas portuguesas cotadas em bolsa, as diferenças salariais entre os gestores e os trabalhadores atingem proporções escandalosas. Empresas onde os gestores de topo ganham trinta, cinquenta, oitenta e até cem vezes mais que os seus trabalhadores. Portugal é referido como sendo o quarto país da União Europeia onde a disparidade salarial é maior.

Imediatamente, e como é seu timbre, o nosso Presidente da República aprestou-se a comentar a notícia. Marcelo Rebelo de Sousa mostrou-se chocado, atendendo à realidade portuguesa, e pediu um debate sério sobre o assunto, de modo a que mais justiça social seja feita.

Não é a primeira vez que este tema é referido em Portugal. Os sindicatos reiteradamente chamam a atenção para ele. Normalmente, aqueles que se opõem a este debate apresentam vários argumentos. Quando há crise, não se pode pagar mais aos trabalhadores porque as empresas não aguentam (vidé discussão sobre o salário mínimo nacional). Se não há crise é porque o crescimento é muito fraco e não se pode repartir aquilo que não existe.

É utópico e até estúpido pugnar por uma sociedade onde as desigualdades salariais sejam mínimas. Isso já foi tentado nas sociedades ditas socialistas e os resultados foram catastróficos. Devem existir desigualdades, baseadas na formação, no mérito e na produtividade, para que haja estímulo de quem trabalha a subir na escala social. Caso contrário as pessoas tendem a trabalhar e a produzir o mínimo possível. Mas as necessárias desigualdades salariais não devem atingir proporções ofensivas.

Mas em Portugal, o que é um facto, é que com ou sem crise as desigualdades são cada vez mais gritantes. Se não forem corrigidas, não tenhamos ilusões, o nosso país nunca se poderá desenvolver harmoniosamente, que é o mesmo que dizer, não sairá da cepa torta.

Audio Player

COMENTE ESTE ARTIGO