Desejar a morte de outrém

Vitor Silva - 24/04/2017 - 05:16

Desejar a morte de outrém

Temos visto em abundância, através da comunicação social e também das redes sociais, vídeos de claques desportivas com cânticos, palavras de ordem e tarjas, em que se desejam a morte de elementos e de adeptos de equipas adversárias. E esse desejo até já tem sido passado à prática.

Estas manifestações não são práticas exclusivas do nosso país, bem pelo contrário, têm expressão internacional e muitas vezes bem pior.

Também sabemos que é uma minoria de adeptos que as provocam, mas é uma minoria organizada e de tal forma agressiva que sufocam qualquer tentativa que a maioria possa ter para que os comportamentos dentro e fora dos recintos desportivos sejam civilizados.

A verdade é que algumas modalidades desportivas, em particular o futebol, constituíram-se num mundo aparte, de onde as leis e os comportamentos cívicos estão frequentemente arredados. E isto perante a passividade dos dirigentes desportivos, quantas vezes promotoras e cúmplices destes comportamentos, a exploração mórbida de muitos meios de comunicação social, com o fito de aumentarem as suas audiências e a cobardia dos governantes, que preferem olhar para o lado em vez de cumprirem a sua obrigação.

Imaginemos o que seria se a vida em sociedade se pautasse pelos valores e comportamentos destes energúmenos: nas campanhas eleitorais passaríamos a desejar a morte dos que votam diferente de nós, ameaçaríamos de morte quem nos ultrapassasse numa qualquer fila e talvez matássemos mesmo aquele vizinho que nunca responde ao nosso cumprimento de bom dia.

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