A xenofobia

Vitor Silva - 07/04/2017 - 09:20

A xenofobia

Embora sem muito relevo na comunicação social, passou a notícia que, num bairro de Londres, mãe e filha, ambas a viverem em Inglaterra há bastantes anos, foram agredidas por um bando de ingleses adultos, com insultos xenófobos à mistura. Embora não muito frequentes, são já vários os casos com os mesmos contornos que têm afectado a comunidade portuguesa a viver na Inglaterra.

É vulgar a desconfiança do “outro”, seja ele de um grupo étnico diferente ou de um país que não é o nosso. E mesmo dentro do próprio país desconfia-se de quem é de outra região, desconfia-se do vizinho e desconfia-se até de alguém que pertence à mesma família. Creio que esta desconfiança à partida do “outro” faz parte da natureza humana. Mas é a nossa educação, a nossa cultura e a nossa percepção de que necessitamos dos outros para viver, que nos faz separar o “outro” que é ou representa uma ameaça, daquele “outro” a quem podemos e devemos estender a mão. Quando esta desconfiança e até medo do “outro” se torna em algo irracional, então estamos no domínio da xenofobia.

Vem isto a propósito do episódio que antes relatei e também das manifestações de xenofobia que pululam nas redes sociais e estou apenas a falar de Portugal. É a manifestação de que o país devia de estar fechado a refugiados, invariavelmente identificados como potenciais terroristas, é o ódio aos que professam a religião muçulmana, ela própria identificada como uma religião que promove o terrorismo, é o apelo a que se expulsem do país todos os negros, mesmo aqueles que nasceram em Portugal e que têm a nacionalidade portuguesa, pois que são todos bandidos… e podíamos continuar por aí fora.

A estes que assim pensam, pedia que fossem coerentes e agora aprovassem as agressões de que portugueses têm sido vítimas em Inglaterra. Ao fim e ao cabo esses agressores ingleses pensam o mesmo que eles: “não há cá lugar para os que são diferentes de nós".

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