É bom que nos mexamos, senão tratam-nos da saúde!

Nelson Brito - 08/12/2016 - 12:34

É bom que nos mexamos, senão tratam-nos da saúde!

No próximo dia 12 de Dezembro comemora-se 40 anos das primeiras eleições autárquicas. Este foi um marco fundamental na consolidação da democracia em Portugal.

Ainda que com episódios menos conseguidos (que, de forma alguma, podem ser generalizados), o contributo do Poder Autárquico para o desenvolvimento do nosso país foi fundamental. Esta realidade é ainda mais evidente no interior de Portugal (ou, se preferirem, nos territórios de baixa densidade), onde as autarquias foram o motor (muitas vezes o único motor), de desenvolvimento dos territórios esquecidos pelo Estado Central e centralista.

Atualmente, passados os últimos anos de austeridade absurda, que muito penalizaram as autarquias, nunca se fez tanto com tão pouco. Ao mesmo tempo que os municípios continuam a absorver competências que tradicionalmente pertenciam ao Estado, vivem com os cortes brutais nas receitas e com a perda de capacidade de gerir dinheiros próprios com autonomia. Repito: nunca se fez tanto com tão pouco!

E porque, aos olhos das pessoas, as câmaras municipais são, cada vez mais, os representantes “da coisa pública”, somos diariamente confrontados com o esvaziamento das funções sociais do Estado e com o desaparecimento de serviços públicos nas nossas terras, situação que agrava as condições de vida das pessoas e amplia as desigualdades sociais face ao litoral mais desenvolvido.

Esta situação de rutura social (de que as autarquias não têm culpa, porque tudo têm feito para contrariar) é ainda mais dramática quando se trata da Saúde, que, nos últimos anos, foi sendo paulatinamente afastada das pessoas que vivem no interior – perda de serviços de urgência, redução de horários, supressão de serviços, afastamento de especialidades, etc. etc.

Ficámos, pois, bastante desconfiados quando ouvimos falar na criação de um Hospital Central, em Évora. Mais preocupados ficámos quando foi o próprio Bastonário da Ordem dos Médicos a questionar esta opção.

Porquê em Évora? Porque não em Beja? Onde estão os estudos que demonstrem que isto faz sentido? Perderá Beja especialidades para Évora? Todas questões muito pertinente e que temos o direito de colocar, até porque estamos escaldados com estes processos “mansos” que, no passado, sempre prejudicaram o Baixo Alentejo. Sempre!

Terão os decisores políticos a noção, por exemplo, que é mais rápido ir de Aljustrel a Lisboa, do que de Aljustrel a Évora? Ou que demoramos 3 horas a ir de S. Barnabé a Évora? Não, não têm a noção. Por isso parecerem estar tão empenhados em que nós alentejanos tenhamos um hospital central só para nós. Como se fosse isso o que nos faz falta…

De uma vez por todas: antes de sermos alentejanos, somos portugueses e temos direitos idênticos a todos os outros cidadãos. Por isso, caros ouvintes da Rádio Pax, no meio de tanta boa vontade, é bom que nos mexamos, se não tratam-nos da saúde!

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