A Geringonça... Funciona!

Anibal Reis Costa - 09/11/2016 - 03:08

A Geringonça... Funciona!

Foi pública e conhecida, por quem se interessa por estas coisas, a minha
oposição ao acordo partidário que viabilizou a atual solução governativa em
Portugal.
Pensei na altura que representaria uma “perigosa” submissão do PS aos
interesses mais (digamos) radicais dos seus parceiros de Acordo.
Esse meu pensamento alicerçava-se não tanto na flexibilidade que o maior
Partido teria para desenvolver políticas governativas consensuais no âmbito
do Acordo, mas sobretudo na capacidade que Bloco de Esquerda e Partido
Comunista teriam em seguir uma orientação mais “Moderada” na habitual
tradição política do Partido Socialista.
A reflexão que fiz, na altura, teve como base o próprio discurso eleitoral dos
partidos e a sua “praxis” pública que sempre foi marcada por assinaláveis
antagonismos e notórias oposições, os quais sempre impediram qualquer
consenso alargado entre os partidos da Esquerda portuguesa.
Tudo isto foi esbatido com 4 anos de vigência de um Governo Radical de
Direita, que se predispôs a ir “Além” do Programa de Assistência Financeira
ao País,e que abandonou todo e qualquer possibilidade de acordo com o
chamado “Centro” Político, que castigou (muito além do que era exigido
internacionalmente) o povo português de forma quase...autista!
O desprezo de uma maioria que acabou, limitou e destruiu as expetativas do
Povo português foram a maior ajuda para a constituição formal da chamada
GERIGONÇA!
Depois das negociações que conduziram à aprovação do primeiro orçamento
(o de 2016) eis que, com toda a capacidade de diálogo e de consenso foi
aprovado o Orçamento de Estado para 2017.
Depois de em 2016 já ter sido autorizada a contratação de Recursos
Humanos para todas as autarquias, de ter havido a possibilidade de recurso
ao crédito para Câmaras Municipais e Freguesias com saúde financeira, bem
como um aligeiramento da restritiva legislação imposta pelo anterior
Governo, o atual Orçamento mantendo tudo isto, permite uma maior
transferência financeira para todas as autarquias (aumento em quase 3% da
verba total) e confere uma expetativa totalmente diferente no futuro dos
Portugueses.
Este Orçamento é um justo e equilibrado exercício financeiro, que honra os
compromissos com os portugueses, defendendo as famílias e os seus
rendimentos, garantindo a confiança dos cidadãos, reforçando o (antes
abandonado) Estado Social, tentando promover a coesão social do país.
É pois uma tentativa em recuperar o tempo perdido e devolver a esperança
ao nosso destino coletivo.
E isso não seria possível com um Governo PSD/CDS como responsáveis
pelas políticas governativas, bem...pelo menos não com esta liderança do
PSD (e colaboração do CDS/PP)!
Por essas e outras razões, entendo que a maioria em que se suporta a
solução governativa atual é de grande utilidade e importância para o País.
Temos um governo legitimado pela maioria absoluta dos deputados na
Assembleia da República que permitiu que se definisse uma solução política
que já vai para o segundo ano de existência, respeitando os compromissos
internacionais, dignificando a imagem de Portugal sem uma submissão
CEGA a países mais relevantes na cena europeia.
Conseguiu-se uma solução que viabilizou um sentimento maioritário da
população e que, ao contrário do que se passou durante quase um ano aqui
bem ao lado, em Espanha, permitiu a governabilidade do País, legitimado
democraticamente.
Não fosse pelas razões que acabei de enunciar e fosse só por esta última
questão, ao nível da governabilidade, por razões Pragmáticas já tinha valido
a pena existir a...Geringonça!
A Democracia, o País e as Pessoas saíram Reforçados.

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O dr. Aníbal enganou-se na geringonça e enganou-se no candidato sucessor a Ferreira. Começam a ser enganos demais em tão pouco tempo.

Mario Santos Silva

Isto é o que se chama apanhar a geringonça em andamento. Terminado o mandato é preciso começar a tratar da vidinha...Obs: Não esqueça de apagar os post a dizer cobras e lagartos do Antonio Costa e por voltarem nos rins nas próximas semanas, Siga!

Francisco Marques Assis