Pelas pessoas

Nelson Brito - 13/10/2016 - 12:33

Pelas pessoas

Em Portugal, a região do Baixo Alentejo é, seguramente, a pior ao nível das acessibilidades rodoviárias. As populações não circulam, numa grande parte dos casos, com condições mínimas de conforto e segurança. O distrito necessita de melhores estradas para o avanço económico em marcha e para o nosso desenvolvimento regional global.

Assim, no passado dia 6 de outubro desloquei-me à Assembleia da República, em representação da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, para reuniões com os vários grupos parlamentares. Em cima da mesa esteve a análise das várias categorias de acessibilidades na região: reivindicámos a inclusão dos caminhos rurais no Plano de Desenvolvimento Regional; a reprogramação dos fundos comunitários 2020, para a melhoria dos caminhos municipais a executar pelos municípios e ainda a inscrição de várias estradas regionais/nacionais no próximo Orçamento de Estado, agora em discussão. 

Finitude

Na mesma ocasião, denunciámos aos deputados, mais uma vez, a calamidade das obras da IP8 e IP2 e aproveitamos para alertar para a degradação das estradas nos concelhos abrangidos pelos projetos de Alqueva, fruto das intervenções da rede secundária, como, por exemplo, o concelho de Aljustrel.

Finalmente, acordámos com os vários deputados que seria em breve endereçado convite à Comissão Parlamentar de Economia para a realização de uma visita/viagem, com o percurso de Barrancos a Odemira, para um melhor conhecimento da triste realidade de toda a região em termos de acessibilidade rodoviárias.

Fora da ordem de trabalhos com os vários grupos parlamentares, tentei sensibilizar os deputados para o difícil momento vivido por muitas famílias que sofrem com a falta de programas de emprego e de estágios profissionais. Esta ausência de respostas sociais, que também afeta o normal funcionamento das autarquias e outras entidades socias que dependem destes programas para o seu bom funcionamento, não pode continuar.

Todos somos pela estabilidade no emprego e o partido Socialista, nesta matéria, não recebe lições dos partidos à sua esquerda. Mas também todos temos que ter consciência que as questões do emprego são estruturais e não se resolvem criando uma nova chaga de desocupação, deixando em casa centenas e centenas de pessoas que poderiam, através de vários programas, estar a dar um contributo válido à sociedade e construtivo do ponto de vista pessoal.

Sim, enquanto os problemas estruturais do desemprego não se resolvem, precisamos de respostas sociais imediatas para a chaga da desocupação, que gera testemunhos de desmotivação, exclusão social e miséria em muitos agregados familiares, situações com que nós autarcas somos confrontados no contacto diário com as pessoas.

Para concluir gostava de deixar uma nota sobre uma das notícias que mais me alegrou nos últimos tempos - António Guterres foi eleito secretário-geral das Nações Unidas. É um orgulho enorme para Portugal e uma esperança renovada na persecução de um Mundo com menos desigualdades, injustiças e conflitos. Pelo seu humanismo e experiência diplomática, António Guterres é o homem certo, no momento certo, no lugar certo. Bem haja!

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