Nem todos gostam do Investimento Privado!

Anibal Reis Costa - 05/10/2016 - 02:31

Nem todos gostam do Investimento Privado!

As Câmaras Municipais detêm, de entre várias, a responsabilidade, de promover o Desenvolvimento Económico no respetivo território.

Ora se é uma responsabilidade, prevista na Lei das Autarquias Locais, nem sempre é muito bem vista por alguns Municípios.

Nós, na Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, desde que assumimos funções há cerca de 11 anos, que concedemos MÁXIMA PRIORIDADE a este desígnio de atração/captação de investimento privado, fundamental para aumentar a riqueza e valorizar a nossa terra.

Sempre tivemos uma atitude interventiva/proativa que procurámos transmitir aos vários serviços municipais que visou acelerar e facilitar a instalação de investimentos privados no nosso Concelho.

Conseguimos, fruto de várias circunstâncias, ser um dos Concelhos da região que mais investimento privado (em valor seguramente) atraiu e que verdadeiramente assumiu a vanguarda no Desenvolvimento Económico do Baixo Alentejo.

Seja no âmbito da principal atividade económica do Concelho, a Agricultura, com explorações agrícolas de referência nacional, com destaque para a produção (e transformação) de azeitona, na uva de mesa, nas outras culturas do regadio (com realçe especial para o milho, o melão/melancia, e muito recentemente os frutos secos, etc) seja na produção de energia solar (o Concelho tem 4 centrais solares com cerca de 40 MW de potência instalada) ou mesmo na disponibilidade de alojamento turístico (Ferreira do Alentejo foi o território que mais investimento PRODER captou) nos últimos anos assistimos, verdadeiramente, a uma VALORIZAÇÃO da MARCA do CONCELHO e tornámos a nossa terra numa referência de que, infelizmente, poucos se poderão orgulhar nos respetivos Concelhos.

Isto deveu-se a uma vontade estratégica afirmada, desde logo, em tornar o território no CENTRO DO QUE É IMPORTANTE.

Não fossem os desaires do abandono das obras de construção da Auto-Estrada do Baixo Alentejo (A26) e o abandono e tentativa de esquecimento do Aeroporto de Beja e esta estratégia seria, porventura, um dos melhores exemplos de como uma autarquia pode e DEVE cumprir com o seu papel de dinamizar a iniciativa/investimento no território, valorizando o que de melhor tem e contribuir para agilizar a iniciativa privada em conjugação com o investimento e colaboração do setor público.

Todos falam em investimento privado, mas nem todos GOSTAM E DEFENDEM o investimento privado.

À mínima dificuldade arranjam obstáculos e inconveniências para denegrir qualquer investimento privado, seja por invenção de “males ambientais” (e as culturas de regadio têm estado debaixo de fogo por isso) seja por não ter um grau de empregabilidade que se desejaria...tudo serve para dizer que “sim, é importante” MAS...

E para além do nobre e essencial papel de permitir, a curto prazo, o bem-estar das pessoas, em que, para além de se assumir as funções básicas de bem-estar, os aspetos culturais são, igualmente, importantes, precisamos de garantir que a médio/longo prazo temos condições para suster a pressão demográfica, criando empregos e riqueza nos nossos Concelhos.

Claro que é mais fácil tornar os Municípios em verdadeiras “sociedades recreativas” (sem qualquer desprimor para as ditas) e ir pagando os espetáculos, a “agentes culturais” amigos que estão SEMPRE disponíveis para uma palavra de reconhecimento e  de atenção ao “Trabalho Cultural” desenvolvido que dizem traz desenvolvimento e pessoas...

Mais fácil é...depois de muitos anos a fazer isso, continuar a promover a cultura do Betão, Alcatrão com o argumento de que é isso (e só) o desenvolvimento do território.

As pessoas (e sobretudo as locais) são, normalmente, esquecidas em todo este processo porque não são envolvidas no processo, nem tão pouco sabem... “da missa metade”.

De qualquer forma, é positivo que passados tantos anos de preconceitos ideológicos (que ainda continuarão a perdurar, pelo “andar da carruagem”) se comece a falar (só a falar) de DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO.

Infelizmente uns falam e outros CONTINUAM A FAZER, aproveitando as oportunidades e relegando aqueles que seriam os mais importantes, pela própria natureza e condição,a um papel secundário e sem vislumbre de melhoria...

Está nisso a Capital do Distrito que teima em não assumir-se como a natural “locomotiva” de uma região com enorme (crescente!) potencial.

Outros Concelhos, não só o de Ferreira do Alentejo, têm sabido interpretar esta nova realidade de investimento privado e procuram potenciá-lo em favor da população do Concelho.

Lamentamos todos que a Capital de Distrito não o tenha feito (nem pelos vistos o queira fazer) e se veja cada vez mais sozinha, abandonada e relegada para um papel secundário no contexto regional e nacional.

TODOS PERDEMOS COM ISSO.

As pessoas de BEJA perdem, POTENCIALMENTE, MUITO MAIS!

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