Não às praxes humilhantes!

Marcos Aguiar - 27/09/2016 - 09:37

Não às praxes humilhantes!

Recentemente fui ao Instituto Politécnico de Beja. Estacionei no parque e ao sair do carro ouvi imediatamente uma tremenda gritaria ao estilo militar. Para meu espanto, eram alunos em traje académico aos gritos com alunos do 1° ano ou caloiros (ou "bichos", como lhes estavam a berrar). Era a praxe, que julgava banida ou, pelo menos, suavizada dentro das instituições de Ensino Superior. 
Eu próprio fui aluno do ensino superior em Beja e dirigente da Associação de Estudantes da minha universidade. Recordo-me bem das práticas bárbaras a que assisti nas praxes académicas dessa época. Nunca, mas mesmo nunca, enquanto pertenci à direção da Associação de Estudantes da minha universidade, permitimos praxes humilhantes. Bem pelo contrário! Tenho orgulho no trabalho de integração que desenvolvemos nessa altura junto de dezenas e dezenas colegas - muitos deles pela primeira vez longe da sua terra e das suas famílias. Éramos a excepção à regra e tínhamos muito orgulho nisso! 
Hoje, passados tantos anos, para meu espanto e revolta, percebi que pouco ou nada mudou nas praxes. Como é possível que tamanha brutalidade e estupidez se mantenha? Como é possível que as instituições de ensino superior (e friso as palavras "ensino" e "superior") permitam que estas práticas arcaicas e desumanas aconteçam dentro dos muros de entidades (em muitos casos públicas) que têm como missão formar mulheres e homens íntegros e integrados socialmente? 
Mas que sociedade é esta que humilha quem mais precisa de acolhimento? Estamos em 2016. Eu repito: 2016

Um abraço, do tamanho do Alentejo, para o auditório da Rádio Pax

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