A falta que nos faz o Estado na região!

Nelson Brito - 09/09/2016 - 11:23

A falta que nos faz o Estado na região!

Num território com as características do nosso, começam a ser notórias as fragilidades sentidas pela ausência de representação do Estado na região.

Sim, uma representação de diálogo, de pontes negociais, de liderança, de reivindicações, de canal facilitador de decisões. Sim, a figura do extinto Governador Civil.

Afirmo-o sem o sentido da visão retrógrada, de criação de mais uns "tachos", mais uns "lugarinhos", mas sim porque a sua falta é notória numa região fraca na afirmação política, fraca junto das instituições centrais, fraca junto dos centros de decisão, o que revela que o abandono do Baixo Alentejo se agudiza, a desesperança cresce no território, agravada pelo consentimento e pela paralisia do status quo.

Faltam-nos desígnios regionais e discussão dos nossos reais problemas. Estamos acomodados a um tempo novo da pasmaceira, da futilidade, da indiferença em relação ao nosso caminho e ao nosso futuro enquanto região. Território que ambicionou ter marca e identidade própria em matrizes essenciais, como na cultura, na economia, na saúde, na educação, no bem-estar social, entre outras, e agora está acomodado ao fatalismo do "... para pior antes assim...", em alinhamento com a corrente dominante e com as mais doutas teorias tecnocratas.

O diagnóstico que recebo provindo das várias instituições, de caráter social, económico, educativo, formativo, de desenvolvimento do território, cultural, humanitário, desportivo, recreativo, por um lado, e por outro lado, autarquias, toda a administração descentralizada, forças militares e policiais, etc, etc, é que todas estão abandonadas na resolução dos seus problemas e para ultrapassar as barreiras burocráticas. As instituições locais e regionais, hoje, não têm a quem se dirigir.

O Estado Central não existe no interior do país! Não representa, nem se faz representar no território, muito menos junto da população! O cidadão anónimo, individualmente considerado, passou à condição de totalmente desclassificado!

Meus caros ouvintes,

Temos que voltar a afirmar a nossa região por via das instituições. Mas instituições fortes e com representações determinadas, que agitem os baixo alentejanos, que os representem nas suas ambições e que lhes abram novos caminhos.

Nesse desígnio, afirmo que o interior, a baixa densidade ou a fraca escala populacional, deve urgentemente apelar ao Estado pelo regresso da figura constitucional do Governador Civil, ou, se preferirem, em alternativa, uma regionalização democrática e implementada com rapidez.

O interior do país necessita (para ontem) de um novo modelo de organização do Estado e da sua representação junto das populações. Arrisco a afirmar, sem desprimor do supra: recorra-se a uma fórmula qualquer, desde que se salvaguarde a essência da organização de uma comunidade/região e de um país - que haja espaço às decisões políticas!

Um abraço,

Nelson Brito

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Deixe ver se compreendo! O PS ao que é sabido era um defensor acérrimo da descentralização/regionalização, reinvindicando reiteradamente mais poder local, com delegações de competências e de recursos técnico-financeiros! o sr, defende por outro lado a ressurreição dos extintos Governadores Civis!...Podemos discutir obviamente as diferenças, dada a experiência passada com tal representação do "Poder Central" que defende, mas francamente não me parece que o balanço seja tão positivo ao ponto de se defender inequivocamente esse modelo!..ou então andámos distraídos durante muitos anos!Não precisamos de mais estado Central no interior do País, precisamos sim de mais recursos, de políticos de visão mais alargada e com mais formação, mas também de cidadãos mais informados e menos acomodados a´s políticas perniciosas que têm grassado pelo nosso burgo. Pelos vistos no final do artigo, deixa a hipótese alternativa de um novo paradigma de poder, que não exclui a figura da regionalização!...falta inquirir as CIM's para sabermos o que pensam do assunto!

Valentim