BREXIT – Haja, ao menos, esperança!

Marcos Aguiar - 12/07/2016 - 11:15

BREXIT – Haja, ao menos, esperança!

Brexit. Os britânicos (ou a maioria deles) escolheram sair da UE - União Europeia. O sentido deste voto popular resulta, fundamentalmente, de uma reação desajustada e contraproducente aos fenómenos do terrorismo, da imigração e dos fluxos de refugiados, que hoje amedrontam, não só os britânicos, mas uma grande parte dos europeus, que interpretam estas novas realidades como ameaças inexoráveis ao seu estilo de vida.

Mas não quero acreditar que tenha sido apenas o medo a condicionar esta opção. Parece-me que a “nega” aconteceu também pelo desapontamento face ao projeto europeu. Muitos britânicos perceberam que a UE é hoje um bloco que serve muito mais as elites económico-financeiras que as pessoas comuns. Se mais referendos acontecerem, acredito, mais membros se pronunciarão pelo "Exit", mesmo em alguns países onde a problemática associada ao terrorismo, à imigração e aos refugiados está menos presente que no Reino Unido.  

A UE, para lá de ter garantido um período de paz sem precedentes na Europa, o que não é pouco (apesar das novas gerações já terem recalcado as chagas das Guerras Mundiais), é uma desilusão em termos do desenvolvimento de políticas de coesão económico-social. Que o digam os portugueses!

Apesar de, com sentido democrático, sermos obrigados a aceitar os resultados do referendo no Reino Unido, não deixa de ser absolutamente necessário analisar, entre outras variáveis, o perfil etário dos britânicos que votaram contra a continuidade na UE. Foram os mais velhos (acima dos 50 anos), que optam por sair. "Ganharam" os que menos anos viverão com a sua decisão. E isto diz muito sobre o que está a acontecer nesta Europa velha, imediatista e incapazes de se projetar para além do seu umbigo.

Não foi para isto que a 2 de junho de 1985 Portugal assinou o tratado de adesão à Comunidade Económica Europeia. Estou, como muitos britânicos estarão, profundamente desiludido com o sentido que a Europa tomou. Uma Europa em que a solidariedade entre gerações não existe. Uma Europa em que o objetivo da convergência entre ricos e pobre é apenas um chavão. Uma Europa que se guia muito mais pelo diapasão do dinheiro, do que pelos valores sociais e dos direitos humanos.

Continuando por este caminho, esta é uma Europa sem qualquer futuro. Ainda assim, e enquanto europeísta convicto, tenho a expectativa que o Brexit possa ser o “baque” que estava a faltar para reanimar a UE. Haja esperança, que sempre foi a energia catalisadora deste fascinante ideal de paz e união entre os povos.

Haja, ao menos, esperança!

Um abraço, do tamanho do Alentejo, para o auditório da Rádio Pax.

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