Sondagens

Vitor Silva - 04/07/2016 - 09:55

Sondagens

Às vezes dá vontade de concluir que as coisas já não são como eram. Uma das coisas que normalmente funcionavam bem eram as sondagens. As sondagens, nomeadamente em política, sempre tiveram a vantagem de dar aos emissários das mensagens a ideia de como elas eram recebidas pelos eleitores. Por sua vez os eleitores, com os resultados das sondagens, já se iam acomodando à ideia de que a sua escolha eleitoral era ou não a maioritária.

Mas de há uns tempos a esta parte as sondagens deram em não dar, isto é, começaram a falhar. Mesmo aquelas que em eleições são feitas à beira das urnas.

Em Espanha foi aquilo que se viu. Entre as sondagens antes das eleições (e mesmo as feitas à beira das urnas) e os resultados reais foi um abismo.

Lá pelas ilhas britânicas as sondagens de há dois anos diziam que aquilo estava muito apertadinho entre os conservadores e os trabalhistas. Afinal os conservadores ganharam por muitos. Quando foi do referendo à independência da Escócia também se previa um resultado muito próximo entre o Sim e o Não. Ganhou o Não por dez pontos percentuais de diferença. Agora com a história do Brexit, as últimas sondagens antes do referendo garantiam que o Reino Unido ia ficar na União Europeia, o mesmo prevendo as grandes empresas, os mercados e até as casas de apostas. Já depois das urnas fechadas as sondagens aos que já tinham votado previram o mesmo, de modo que quase toda a gente no Reino Unido e no resto da Europa se foi deitar convencida que vivia num mundo e acordou vivendo noutro.

Das duas, uma: Ou as empresas de sondagens estão numa de incompetência ou então são os eleitores que resolveram gozar com elas, dizendo que votam de uma maneira e de facto votando noutra.

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