Casamentos de Santo António

Vitor Silva - 15/06/2016 - 04:28

Casamentos de Santo António

Como é sabido Santo António é o santo padroeiro de Lisboa, cidade onde nasceu no final do século XII. É grande a devoção que Lisboa lhe devota e grandes são as festas que o têm como pretexto.

Tendo o santo fama de casamenteiro, o já extinto Diário Popular patrocinou há cinquenta e tantos anos os chamados Casamentos de Santo António, que permitiram a dezenas de pares com escassas posses económicas contraírem matrimónio. A revolução de 1974 fez interromper a iniciativa, que veio a ser retomada pela Câmara Municipal de Lisboa trinta anos depois, já neste século. E neste passado domingo lá trocaram votos de amor eterno dezasseis felizes pares.

Houve no entanto um par de Santo António que não apareceu na cerimónia, talvez por ter tanta vontade de se unir que o fez antes. Falo do par formado pelo nosso Presidente da República e pelo nosso Primeiro-Ministro. Aqui há uns meses atrás, quando o Presidente foi eleito, muitos julgaram difícil, se não impossível, que eles chegassem a namorar, quanto mais em casar. O Marcelo sempre namorou com a tia da direita e por sua vez o Costa jurara que só queria namorar com gente da esquerda.

Pois não é que desde que o Presidente entrou em funções começou imediatamente o namoro entre os dois, como se tivessem nascido um para o outro. O que um diz o outro repete. Só sorrisos de um para o outro e declarações de amor. A direita cheia de ciúmes e a esquerda desconfiada.

Mas o namoro prosseguiu cada vez mais caloroso, de tal modo que acabou em casamento. Casaram em privado, mas toda a gente ficou a saber que tinham dado o nó quando foram de lua-de-mel para Paris. E na cidade luz, cidade dos apaixonados, mostraram ao mundo quão grande é o seu amor. Foi lindo ver Marcelo a passar o braço pelos ombros de Costa e que ternurentas as selfies que tiraram juntos. Mas o mais emocionante, de fazer chorar o mais empedernido coração, foi quando, durante um discurso do Presidente para os nossos emigrantes em Paris, a chuva fez questão de o molhar e logo o nosso Primeiro-Ministro se apressou de guarda-chuva aberto a protegê-lo.

Vamos ver é durante quanto tempo Santo António vai proteger este tão bonito casamento, pois nos tempos que correm o mais normal é casamento acabar em divórcio.

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