Moengas na diocese

Vitor Silva - 02/06/2016 - 07:27

Moengas na diocese

O Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja foi criado em 1984 pelo então Bispo de Beja, D. Manuel Falcão, tendo por missão o estudo, a salvaguarda e a valorização do património cultural religioso do Baixo Alentejo.

Uma simples pesquisa na Internet permite conhecer o notável trabalho desenvolvido por este Departamento da nossa Diocese: o restauro rigoroso de inúmeros monumentos religiosos; a criação de uma rede de museus; a realização de exposições de arte sacra em Portugal e no estrangeiro; a promoção de encontros e congressos, alguns dos quais de âmbito internacional; a criação do Festival Terras sem Sombra de Música Sacra, que já tem projecção além-fronteiras; e muitas outras actividades que levariam tempo a enumerarem.

Todo este labor tem colocado a Diocese de Beja na vanguarda daquilo que é a conservação e restauro do património religioso, a sua animação, a ligação às populações e a projecção do território baixo-alentejano no país e fora dele. Isso mesmo está reconhecido nos inúmeros prémios nacionais e internacionais que o Departamento do Património tem recebido.

Pois não é que todo este trabalho e a própria existência do Departamento do Património podem estar em causa por divergências entre o actual Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas e a direcção do Departamento do Património. Divergências que têm tido a sua expressão na realização de obras contra o parecer do Departamento, mas aparentemente com o beneplácito do Bispo e na não renovação do protocolo entre a Diocese e o Ministério da Cultura, que tem permitido que o Director do Departamento do Património, Professor José António Falcão, funcionário do dito ministério, esteja aqui destacado.

Seria bom que a Igreja em Beja desse exemplo de paz, diálogo e harmonia no seu interior, pois o desaparecimento do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, teria consequências incalculáveis, mas certamente desastrosas, para a nossa região, muito mais que o derrube daquele pirilau ali ao lado da Praça da República, tecnicamente um depósito de água, mas que desde criança me habituei a ouvir chamar Meia Latinha.

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Realmente, Vitor, acho um absurdo comparares a hipotética extinção do Departamento do Património Histórico da Diocese de Beja com a demolição do reservatório de água de Beja. Cada coisa no seu lugar próprio e a solução não é: ou um ou outro! - O Departamento pela acção que desenvolveu até agora, sob a direcção de José António Falcão, estabeleceu articulações culturais incontornáveis quer a nível nacional quer com o estrangeiro, como nenhuma outra instituição de Beja, merecendo, obviamente, o maior apoio na continuação da sua actividade. - O único defeito do depósito é ser notícia do evento já anunciado e em curso: a sua demolição!

leonel borrela

O bispo de Beja António Vitalino Dantas perdeu o norte, quando faltam poucos meses para deixar Beja? Como é que é possível deixar que se façam obras ilegais em igrejas, quando se acaba de recuperar a Catedral com todo o cuidado? Há aqui qualquer coisa que lembra um desajuste, agora que ele está de saída, pois o futuro bispo entra em Novembro. O Departamento do Património e José António Falcão naturalmente não podem dar o seu acordo a atentados, como os que estão a ser feitos em igrejas de Castro Verde e outras terras da Diocese.

José Zensky Correia Guedes