Auto-Estrada do Baixo Alentejo (A26) uma Necessidade Nacional!

Anibal Reis Costa - 13/04/2016 - 03:46

Auto-Estrada do Baixo Alentejo (A26) uma Necessidade Nacional!

Desde há vários anos que muita da atividade política regional e local se tem concentrado no que foi, desde logo, chamado “Triângulo do Desenvolvimento”.

Este desígnio virtuoso do nosso Desenvolvimento Regional assenta(va) em três “projetos estruturantes”: Porto de Sines – Alqueva – Aeroporto de Beja.

A ligação rodoviária entre o Porto de Sines, a A2 e o Aeroporto estaria assegurada pelo que se começou a chamar inicialmente de IP8 (depois de muita discussão ao nível dos Municípios envolvidos, ouvidas as respetivas populações, com a definição dos corredores rodoviários) e que depois se tornou em A26 (designada por Auto-Estrada do Baixo Alentejo).

Como é do conhecimento público, a obra foi anunciada, avançou-se para sua construção, tendo, com a mudança de Governo sido interrompida a obra, alegadamente por motivos de ordem financeira que não foram explicados e que permanecem, ainda hoje, na completa “escuridão” da informação pública. Argumentou-se que se poupava...não fazendo. As prioridades foram, seguramente outras, noutra região... A A26 foi esquecida e o trabalho de muitos anos de diversas entidades, completamente atirado ao lixo.

Na sequência deste abandono “selvagem”, sem as necessárias garantias de segurança, a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo (CMFA), ciente da responsabilidade regional que detém, apresentou em Abril de 2013 uma providência cautelar (que obteve decisão favorável do Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja, em Julho desse ano) para garantir um mínimo de “respeito pelo território e pelas pessoas”.

Em Março de 2014 foi apresentada uma Ação Administrativa Comum, no TAF de Beja, por forma a que fosse reposta toda a situação anterior à construção da auto-estrada, tendo, um ano depois, em Março de 2015 sido dado cumprimento a algumas das medidas exigidas pela CMFA, designadamente no que diz respeito à segurança de pessoas e de bens.

Antes das últimas eleições legislativas, foram (muito parcialmente) retomadas as obras, sem qualquer continuidade ou lógica de construção, permanecendo totalmente paradas as intervenções mais relevantes de ligação à A2 (designadamente na travessia do Rio Sado).

A A26 (segundo dados não-oficiais) já não chegará sequer a Figueira dos Cavaleiros (muito menos à Sede de Concelho ou ao Aeroporto) tendo sido “alargada” a sua extensão até cerca de 9 km entre as localidades de Santa Margarida do Sado e Figueira dos Cavaleiros (sem qualquer critério apresentado para o efeito).

Estamos, pois, perante um ato extremamente lesivo do interesse público da região e gravoso para o seu Desenvolvimento.

É necessário continuar a pugnar por uma infra-estrutura rodoviária que verdadeiramente possibilite uma conexão entre o Porto de Sines (o mais importante porto a nível nacional com uma quota de 53 % do movimento de contentores) e aquele que poderá ser sempre uma alternativa parcial ao Aeroporto da Portela, o Aeroporto de Beja.

Não faz qualquer tipo de sentido que o enorme esforço financeiro que o País tem vindo a fazer no Empreendimento de Fins Múltiplos do Alqueva (um dos vértices do Triângulo de Desenvolvimento) não seja correspondentemente acompanhado pela melhoria das infra-estruturas rodoviárias. Levada a situação ao exagero, é caso para dizer que com uma casa que tem excelentes condições (Alqueva) temos uma estrada de “terra batida” (IP8).

Muitos dos novos investidores que se fixaram nestes território (Ferreira do Alentejo, Beja, etc) com  a A26 possuiam uma expetativa legítima de melhores condições rodoviárias para potenciar os respetivos negócios, expetativa essa que é, naturalmente, abalada...

Com a interrupção das obras, deu-se, igualmente, um severo golpe (embora não decisivo) na maior viabilidade do Aeroporto de Beja. Não acreditamos que tenha sido intencional, mas, ao interromper o acesso privilegiado da infra-estrutura Aeroportuária à Auto-Estrada, dificultou-se um caminho que parecia o mais indicado daquele que é o quarto Aeroporto de Portugal Continental.

Seguramente não é, com toda a certeza, aceitável que Beja continue, praticamente, a ser a  ÚNICA SEDE DE DISTRITO sem ligação direta a uma Auto-Estrada, com todos os prejuízos que daí advêm para o seu Desenvolvimento e o “Esquecimento” a que todo o território da antiga Pax Julia se vê, mais uma vez, remetido.

A CMFA tem sido e continua a ser VOZ ATIVA e EMPENHADA no Desenvolvimento Regional e na concretização dos projetos-pilar para o nosso Desenvolvimento.

Aliás, tem sido, através do empenho dos eleitos da CMFA que, na Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo, a situação da Auto-Estrada e do Aeroporto maior relevância têm tido.

Da mesma forma, não pode, nem deve é ser SEMPRE a Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo a ÚNICA a demonstrar EMPENHO para a concretização destes projetos regionais com GRANDE IMPACTO NACIONAL.

O empenho CONTINUADO (e não EPISÓDICO!!) nestes e noutros assuntos deve também ser um dos desígnios ao nivel municipal.

Se isto for esquecido, a própria região e os territórios (uns mais do que outros, é certo) sairão prejudicados, mas no fim...todos perderão, “os que falam e os que estão calados"!

Audio Player

COMENTE ESTE ARTIGO