O Livreco, O Alentejano-Bomba e o Cante

Marcos Aguiar - 16/03/2016 - 11:09

O Livreco, O Alentejano-Bomba e o Cante

A propósito da recente apresentação de um livro polémico que, supostamente, fala sobre o alentejo, apenas me ocorrer dizer o seguinte: Foi patético ver tanta gente "importante" na apresentação de um livreco. Com se tivessem ali para afirmar alguma coisa de relevo.  

O que aconteceu, há dias, na livraria Bertrand, em Lisboa, foi um simulacro grotesco de defesa da liberdade de expressão - que, na verdade, até está muitas vezes em causa, mas certamente não por via de qualquer “intifada alentejana no facebook”.  

Mais ridículo ainda: a pairar sobre todos, lá estava, na primeira fila, o dono do Pingo Doce, esse grande defensor dos direitos fundamentais. Era importante que lá estivesse, para legitimar qualquer coisa. Ninguém sabe bem o quê ou porquê, mas era importante que lá estivesse. E por isso lá estava - ele e outros como ele, incluindo muitos pseudojornalistas da nossa praça. 

Na verdade, porque ninguém, incluindo os oradores, sabia do tema, discorreram sobre coisa nenhuma, falaram sobre nada, guardados por polícias – liberdade, pois… - borrados de medo que irrompesse pela sala um rancho de malteses de Kalashnikov escondida na samarra.  

A dada altura: Sobressalto! Medo! Rajadas? Um alentejano-bomba que se explode? Não! É… é cante alentejano! Ufa, ufa! Só cante! Siga, que se faz tarde…  

Acabou! Não correu mal! Não houve feridos ou mortos e, surpreendentemente, também ninguém se suicidou (ainda que estivessem inúmeros alentejanos na sala). 

E, mais sossegados, lá repuseram os índices, com umas tapas de enchidos e queijos, brancos e tintos do alentejo (marca branca do Pingo Doce?) e voltaram para as suas vidinhas, pseudocosmopolitas, suburbanas, a devanear sobre Londres e Nova Iorque.  

Entretanto, no Alentejo, tudo na mesma. Nada, pois, como o livreco promete.  

Tem avondo!

Um abraço do tamanho do alentejo para o auditório da Rádio Pax

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Que liberdade? Que expressão? Só se for a expressão da ignorância que o autor do "livreco" manifesta acerca de uma realidade ,que ,manifestamente, desconhece. Alentejanos na sala? A aplaudirem aquele debitar de pseudo factos sobre a vida de um povo que nada tem a ver com aquilo? Só se forem alentejanos de marca branca...

margarida pegacho