Verão quente

Nelson Brito - 06/07/2015 - 04:44

Verão quente

Após o desafio lançado pela Rádio Pax para participar no seu quadro de opiniões, que aceitei com bastante agrado, cá estou para deixar o primeiro pensamento.
Verão quente. O tema Grécia/ Europa dominará muitas horas das nossas atenções durante os próximos meses, pelo que vos deixo algumas notas para reflexão:


1- A Grécia escolheu democraticamente o seu governo, entenda-se o seu caminho. De acordo com princípio do respeito pela soberania nacional de cada Estado Membro da União Europeia, o povo grego e o seu governo deveriam ser respeitados nos seus compromissos e propostas junto do Euro Grupo, aplicando-se dois caminhos complementares entre si: a Grécia escolheria como pagar e a Europa garantiria/supervisionaria o pagamento da dívida pela Grécia.Teoria esta reforçada com a vitória do OXI no referendo de ontem.

2- A Alemanha e os seus eurodiscípulos ultra-liberais continuam a querer afirmar um modelo europeu asfixiante, com um léxico único - dívida pública, agências de risco, credores, austoridade necessária - em oposição ao modelo clássico de confronto político entre esquerda democrática e sociais democratas, divididos ideologicamente, mas ligados historicamente num projeto de Europa progressista no campo social, humanista, económico, bem como monetariamente e na estratégia comum de defesa.


3- Será que o atual momento não repetirá a história da Europa, palco de duas grandes guerras mundiais e de ódio pela toda poderosa Alemanha? A sucessão de conflitos em África e nos países  muçulmanos, os atos de terrorismo com fortes implicações na Europa, a desarmonia na Europa de Leste, a pressão social, o desânimo e o egoísmo dos europeus em relação ao projeto Europeu, consolidam etapas para um futuro muito preocupante. Resta-nos viver um presente que outros, daqui por algumas décadas, talvez venham a estudar como um período percursor de mais um conflito mundial.


Verão quente. O tema das legislativas que irá fazer os portugueses escolher entre dois modelos de governação distintos para um país:


1- A coligação PSD/CDS, atual governação, com discurso e propostas eleitorais centrada na narrativa da herança do país falido e de comparação com a Grécia, para justificar tudo o que foi feito na atual e próxima legislatura.


2- O PS, a procurar despertar consciências para uma governação alternativa, focada na dinamização da economia real, do consumo, do investimento público, da produção e na promoção do emprego, agregando um novo modelo de sustentabilidade dos sistemas públicos da Segurança Social, Saúde e Educação, com a garantia da qualidade das funções sociais do Estado. Um caminho muito difícil porque terá sempre presente a frase destruidora "... lá estão eles a querer esbanjar novamente...". Será um percurso terrível e sinuoso de afirmação das ideias e das propostas, mas que valerá o esforço de continuar a acreditar.

Ao invés do verão quente, a nós autarcas cabe-nos a missão de continuar a desenvolver esforços para garantir mais qualidade de vida às populações. Cada vez com menos recursos, menos financiamento nacional e comunitário, mas cada vez com mais responsabilidades atribuídas pela ausência em crescendo do Estado Central. Por força da nossa missão, nós, autarcas, não sabemos, não podemos virar a cara à luta.

Nas próximas participações irei detalhar os temas chamados à colação. Viva o Verão!



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